Quinta-feira, 12 de Março de 2026

Sustentabilidade é estratégia para elevar produtividade

Ondas de calor, chuvas extremas e secas prolongadas já deixaram de ser fenômenos pontuais e se tornaram fatores centrais na rotina de empresas de diferentes setores. Os efeitos das mudanças climáticas podem comprometer produtividade, elevar custos e gerar incertezas em toda a cadeia econômica. Nesse cenário, encontrar soluções inovadoras e sustentáveis deixou de ser apenas uma vantagem competitiva e passou a ser questão de sobrevivência.

O tema foi destaque no Fórum Economia Verde, realizado pelo Estadão , em São Paulo, onde especialistas e executivos discutiram os caminhos para lidar com os impactos ambientais. O agronegócio brasileiro – responsável por mais de um quarto do PIB já sente de perto os efeitos da crise climática. Para Orlando Nastri, líder de ESG da Citrosuco, a conta é clara: secas e ondas de calor “afetam custos, produtividade e previsibilidade”, o que torna as práticas regenerativas não apenas desejáveis, mas indispensáveis para o futuro do setor.

A equação do agro brasileiro passa por reduzir desperdícios e aumentar produtividade sem expandir a fronteira

Energia renovável, como solar e eólica, vive momento de dificuldades para escoar produção

agrícola nem desmatar. Outro ponto importante é conseguir levar a cultura da sustentabilidade para todos os elos da cadeia produtiva, seja em grandes fazendas ou pequenos produtores, com apenas um hectare de área produtiva.

VANTAGEM BRASILEIRA. No setor de energia, o paradoxo está na infraestrutura. O Brasil se consolidou como potência em energia renovável, sobretudo em solar e eólica, mas questões de planejamento e até mesmo política podem comprometer essa grande vantagem brasileira. “Temos sol, vento e investidores, mas falta planejamento para escoar essa energia”, alertou Francisco Silva, diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Ao mesmo tempo, subsídios mal calibrados distorcem preços e oneram consumidores sem geração própria.

Outro capítulo da transição energética envolve o biodiesel. Apesar de ser considerado um biocombustível estratégico, o governo o retirou do leilão de reserva de capacidade de 2026, reabrindo espaço para o carvão. A decisão gerou frustração no setor, que opera com 40% de capacidade ociosa. “O biodiesel é viável, inclusive em motores pesados, como já se vê em navios que cruzam oceanos”, disse Manuel Viveiros, da Binatural.

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