Terça-feira, 10 de Março de 2026

Hidrogênio verde avança, mas precisa superar gargalos de custo e regulação, diz VP da Absolar

O levantamento mais atual da Clean Energy Latin America (Cela) indica a presença de 111 projetos ligados à produção de hidrogênio verde no Brasil. O problema, entretanto, é o ritmo de maturação das iniciativas, que não desperta muito otimismo em quem acompanha o setor há anos.

“Os projetos estão avançando, mas na velocidade de uma nova tecnologia. Os passos estão sendo dados, mas os desafios são muitos”, afirma a CEO e fundadora da Cela, Camila Ramos, vice-presidente de Investimentos e Hidrogênio do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

A falta de regulamentação da Lei 14.990/2024, sancionada pelo presidente Lula no dia 27 de setembro do ano passado, que estabeleceu a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, ainda é um entrave, segundo Camila Ramos. O texto prevê R$ 18 bilhões em incentivos fiscais entre 2028 e 2032 para descarbonizar setores da indústria, como o de transportes.

Levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde mostra que o governo federal tem projetos de hidrogênio protocolados no Ministério de Minas e Energia que representam aproximadamente R$ 180 bilhões em investimentos potenciais. A regulamentação, que daria mais segurança jurídica aos investidores, é considerada essencial para destravar projetos em banho-maria.

“No caso do Brasil, um dos grandes potenciais do hidrogênio verde é a produção de fertilizantes para o agronegócio. Mas também existem pesquisas que mostram o desenvolvimento do aço verde (usado, por exemplo, em siderúrgicas, um setor altamente poluente) e de combustíveis como o SAF (para aviação) e o metanol”, explica Camila Ramos, que será palestrante do Fórum Estadão Economia Verde 2025.

O evento ocorre na quinta-feira, 18, em São Paulo, no Teatro Cultura Artística, a partir das 8h. O fórum pode ser acompanhado pelas redes sociais do Estadão.

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