Quarta-feira, 11 de Março de 2026

Cuba e a reciclagem de latas de alumínio: uma história de resiliência, criatividade e sustentabilidade

Durante os anos 90, após a queda da União Soviética, a economia cubana entrou em uma fase crítica. Nesse contexto, o país começou a importar produtos enlatados, não pelo seu conteúdo, mas sim pelo valor da embalagem: as latas de alumínio se tornaram um recurso multifuncional, utilizado para fabricar panelas, recipientes, luminárias, bandejas e ferramentas improvisadas.

Nos lares e oficinas, essas latas também eram usadas para armazenar água, alimentos secos ou combustível, se tornando símbolos de subsistência e criatividade popular.

Reciclagem como estratégia de sobrevivência
Desde 2008, Cuba recicla 82 % de suas latas, embora hoje enfrente uma nova escassez.

A partir de 2008, Cuba conseguiu alcançar uma taxa de reciclagem de 82 % em latas de alumínio, se posicionando como um exemplo de engenho humano diante da escassez de recursos.

No entanto, desde a década de 2010, o país enfrenta uma diminuição na disponibilidade de latas, o que gerou uma busca desesperada nas ruas por parte de cidadãos que as coletam para vender a empresas estatais de reciclagem.

A remuneração é mínima: 50 pesos cubanos por quilo, equivalente a 0,15 dólares, muito abaixo do valor internacional do alumínio, que ultrapassa os 1,35 euros por quilo.

Por que o alumínio é fundamental para a sustentabilidade?
Reciclabilidade infinita, alto valor de mercado e benefícios ambientais contundentes.

O alumínio é a embalagem mais reciclada do mundo, segundo a EcoMENA, e pode ser reprocessado infinitamente sem perder suas propriedades físico-químicas.

Uma pesquisa do Instituto Internacional do Alumínio (IAI) demonstrou que as latas de alumínio superam o vidro e o plástico (PET) em sua capacidade de sustentar uma economia circular.

Além disso, seu alto valor de mercado subsidia a reciclagem de materiais menos lucrativos, fortalecendo os programas municipais de gestão de resíduos.

Benefícios ambientais da reciclagem de alumínio
Menos emissões, menos mineração e mais vida útil para os aterros sanitários.

Economia de energia: reciclar alumínio consome até 95 % menos energia do que produzi-lo a partir da bauxita
Redução de CO₂: cada tonelada reciclada evita a emissão de 9 toneladas de dióxido de carbono
Conservação de recursos: evita-se a extração de bauxita, reduzindo a contaminação do solo e das águas
Menos resíduos: prolonga-se a vida útil dos aterros sanitários e reduz-se a pressão ambiental urbana
Argentina: liderança regional em reciclagem de latas
Com uma taxa de 91,1 %, o país avança rumo a uma economia circular sólida.

A Argentina está entre os países líderes em reciclagem de latas de alumínio, juntamente com Brasil (97 %-100 %), Japão (92,6 %) e Itália (92 %).

Essa prática traz benefícios econômicos, como a geração de empregos, o impulso à indústria de reciclagem e a reintrodução do alumínio em novos ciclos produtivos.

Com uma demanda crescente, o país tem o potencial para consolidar sua liderança em sustentabilidade industrial.

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