Terça-feira, 10 de Março de 2026

Griselli assume Telebrasil com defesa de valorização das operadoras

Ao assumir a presidência da Telebrasil e da Conexis Brasil Digital nesta segunda-feira, 2 de setembro, Alberto Griselli afirmou que o setor de telecomunicações é o “motor da economia digital” e defendeu ações regulatórias e institucionais que garantam um ambiente favorável ao investimento em redes e à sustentabilidade do ecossistema digital. O discurso foi realizado na abertura da 51ª edição do Painel Telebrasil, em Brasília (DF)*.

Griselli destacou que o setor já entregou 70% de cobertura populacional com 5G em menos de quatro anos e superou 60% das metas previstas para 2026. “A qualidade do 5G no Brasil já apresenta níveis superiores aos dos Estados Unidos e da Europa. Segundo dados da Opensignal, o nosso 5G é o 3º mais rápido do mundo”, afirmou.

Ele também citou o custo por gigabyte como indicador de acessibilidade, apesar da elevada carga tributária do setor. “O preço médio por gigabyte no Brasil está em torno de R$ 1,90 – segundo o JP Morgan, um dos mais baixos de toda a América Latina.”

Griselli defendeu que o setor começa a alcançar um ponto de equilíbrio entre retorno e investimento. “Mesmo em um cenário global desafiador, pela primeira vez, o retorno sobre capital (ROIC) da nossa indústria se aproxima do custo do capital (WACC)”, disse. Segundo ele, o CAPEX das operadoras no Brasil representou, nos últimos três anos, uma média de 19% da receita — cerca de 30% acima da média dos Estados Unidos, conforme dados da Omdia.

Reforma tributária e segurança de infraestrutura
Em sua fala, Griselli reforçou que a Reforma Tributária deve tratar o setor com coerência frente à sua essencialidade. “Nossa carga no Brasil é uma das mais altas do mundo, próxima de 30%, e a Internet das Coisas somente se desenvolverá mantendo a isenção tributária em vigor”, pontuou.

Ele também chamou atenção para o impacto dos furtos de cabos nas redes. “Segundo a Conexis, os roubos e furtos já ultrapassam 4.500 km de cabos — uma distância maior que o dobro do percurso Brasília–São Paulo–Rio de Janeiro–Brasília. Cada metro de cabo roubado é uma escola offline, um posto de saúde parado, um comércio sem sistema.”

Defesa do compartilhamento de redes e negociação entre players
Griselli defendeu que o compartilhamento de infraestrutura e a gestão eficiente do espectro sejam ferramentas estratégicas para massificação do acesso. Sobre a discussão global de “fair share”, ele afirmou que é necessário abrir espaço para a negociação econômica entre os atores.

“O tráfego nas redes cresce de forma exponencial, mas a captura de valor se desloca significativamente para fora das redes, em direção às plataformas OTT. Antes de se definir ‘fair share’, é necessário evitar a vedação ‘unfair’ de qualquer possível negociação”, disse, em crítica à posição de grandes plataformas que rejeitam qualquer repasse às operadoras e a PL que tramita no Congresso Nacional.

Digitalização pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB
A digitalização da economia foi tratada como eixo estratégico. Segundo Griselli, estudo da FGV aponta que acelerar essa transformação pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB por ano. “Temos ainda um grande espaço a ser explorado e capturado”, afirmou.

No campo, citou dados da ConectarAgro mostrando que apenas um terço das fazendas possui 4G ou 5G. Na indústria, mencionou estudo da TOTVS e do Instituto Atlas que projeta aumento de produtividade de até 38% com a adoção da Indústria 4.0. “O caminho para um Brasil Digital está na integração de setores estratégicos rumo à maior eficiência, produtividade e melhor uso dos recursos.”

 

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