Quarta-feira, 4 de Março de 2026

Objetivo é tornar o Fust acessível a todos os ISPs, diz presidente da InternetSul

A InternetSul, associação de provedores de banda larga do Rio Grande do Sul, quer tornar o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) uma “linha massificada e natural no sistema financeiro”, afirmou o presidente da entidade, Fábio Badra, nesta sexta-feira, 29, em entrevista ao TELETIME.

O objetivo é “que todos os ISPs [provedores de serviços de Internet] possam minimamente pleitear o recurso”, acrescentou. Há cerca de um mês, Badra foi oficializado como integrante do conselho gestor do fundo, como um dos representantes das prestadoras de serviços de telecomunicações. O mandato vai até maio de 2027.

“A aprovação do recurso é outra coisa, pois depende de outras questões de cada ISP. Mas temos que fazer com que todos tenham acesso a pleitear o recurso e que o Fust esteja nas prateleiras de todas as instituições financeiras do Brasil”, destacou, em conversa durante o LinkISP, evento realizado pela associação em Gramado (RS).

Crédito suplementar
Badra diz que está “muito otimista” com a segunda rodada do Fust Automático – antecipada no dia anterior por TELETIME, cujo orçamento pode chegar a R$ 200 milhões – e que a linha deve ser anunciada “nos próximos dias ou no próximo mês”.

Ele confirmou que o conselho gestor ainda está avaliando ajustes na modelagem, possivelmente com a redução do teto de crédito para cada provedor, de modo a pulverizar o acesso.

“Vamos trabalhar nessas condições e entre outras de refinamento de alguns critérios, com o objetivo de qualificar o ISP. Ou seja, fazer com que o Fust seja o prêmio por uma boa gestão, governança e olhar interno de suas operações, independentemente do tamanho do provedor”, ressaltou.

“Não podemos deixar a roda parar por falta de recurso. O nosso trabalho é colocar isso o mais rápido possível”, frisou.

Diferentemente da primeira versão do Fust Automático, quando foram disponibilizados R$ 350 milhões via agentes financeiros, a segunda rodada não deve contar com a modalidade Emergencial. Isso porque o prazo estabelecido no decreto para direcionamento de recursos para prestadores de banda larga que atuam no Rio Grande do Sul já terminou.

Desse modo, a linha deve prever somente com as modalidades Crédito Conectividade (para provedores que tenham ampliado a base em pelo menos 50 assinantes no ano anterior) e Fust Equipamentos, disponibilizada para aquisição de aparelhos de telecom.

Ainda assim, Badra acredita que os provedores gaúchos, responsáveis pela captação de 60% do crédito da primeira rodada, se destaquem novamente. “A demanda no Rio Grande do Sul vai ser forte. Além de questões de reposição de prejuízo de caixa, há a necessidade de investimentos e de expansão tecnológica”, indicou.

Recuperação dos ISPs
De acordo com o presidente da InternetSul, o trabalho de recuperação dos provedores gaúchos, fortemente impactados pelas enchentes que atingiram o estado no ano passado, ainda não terminou.

Badra apontou que cerca de 5% dos ISPs fecharam, como resultado de perda total das operações. Além disso, 80% dos prestadores foram, de algum modo, afetados. O prejuízo sobre o setor gaúcho de telecom foi estimado em R$ 1,3 bilhão, indicou o dirigente, com base em dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“O trabalho de recuperação ainda não terminou. Existe uma sequela e um trauma muito grande na sociedade. O que vivemos no ano passado, digo com muita tranquilidade, [vai levar] minimamente dez anos para que a gente sinta de novo no Rio Grande do Sul uma certa normalidade pré-enchente”, projetou.

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