Quarta-feira, 11 de Março de 2026

CPFL Energia anuncia que alcançou 100% em matriz renovável

O grupo CPFL anunciou nesta quinta-feira (28) que sua matriz de geração de energia elétrica passou a ser 100% renovável, com o encerramento das operações da usina termelétrica Epasa, na Paraíba, que representava 4% da geração da empresa. A decisão, segundo comunicado do grupo, marca a saída definitiva da empresa de ativos a combustíveis fósseis.

A medida da empresa também antecipa os compromissos assumidos em seu Plano ESG 2030. O anúncio ocorreu em evento no Ministério de Minas e Energia, em Brasília.

“Ao antecipar em cinco anos a meta de alcançar 100% da geração renovável, reafirmamos a seriedade dos compromissos assumidos em nosso Plano ESG 2030 e demonstramos a capacidade de avançarmos além do previsto na jornada de sustentabilidade”, disse Gustavo Estrella, presidente da CPFL Energia.

Dessa forma, o grupo passa a ter um portfólio de geração integralmente composto por hidrelétricas, eólicas, termelétricas a biomassa e solares fotovoltaicas. Atualmente, a empresa possui 4.044 megawatts (MW) de capacidade instalada, distribuídos em 60% de hidrelétricas, 35% de eólicas e 5% de biomassa e solar.

O grupo ainda sinalizou que mantém em desenvolvimento um “pipeline” superior a 4,4 gigawatts (GW) de projetos 100% renováveis, visando a uma expansão sustentável no futuro. Em janeiro, a CPFL inaugurou a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Cherobim, no Paraná.

Em 2024, a empresa já havia reduzido em 59% as emissões de gases de efeito estufa em relação à linha de base de 2021. A empresa ainda se comprometeu a manter a neutralidade de carbono a partir de 2025. A companhia acaba de receber a creditação da iniciativa internacional SBTi (Science Based Targets initiative), que valida cientificamente suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Após o evento, o presidente da CPFL Energia afirmou que há uma preocupação muito grande do grupo em relação aos cortes de geração de energia renovável, o chamado “curtailment”. Segundo ele, no caso da CPFL, os cortes aumentaram de 8% para 20% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2024.

“A perspectiva é que só piore. Na medida em que temos cada vez mais energia renovável e intermitente entrando no sistema, a tendência é que esse problema se agrave. Esse é o cenário que a gente tem. Independentemente do caminho que a gente vai ter a solução, acho que é fundamental a participação de todos os agentes”, afirmou a jornalistas.

Questionado por jornalistas, Estrella afirmou que a construção de um caminho para solucionar os cortes de geração devem envolver todos os órgãos responsáveis, incluindo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O executivo defendeu ainda que o segmento da geração distribuída, em que os consumidores geram a própria energia, também deve passar pelas discussões que envolvem um endereçamento sobre os cortes de geração, uma vez que o aumento da presença dessa modalidade de geração no sistema elétrico implica no cenário de cortes de geração no País.

“Se imaginarmos que a expansão da intermitência vem também por conta da GD, seria natural pensar em envolver a GD em um desenho de solução para o curtailment. Acho que pode ser um caminho”, declarou em entrevista a jornalistas.

Em maio, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) defendeu incorporar os impactos do curtailment na metodologia do cálculo dos custos e benefícios da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD). O órgão é um dos integrantes do grupo de trabalho para discutir os cortes, criado em março no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

Em nota, o MME afirmou que o grupo segue atuando de forma estruturada para garantir a segurança e estabilidade do sistema. “Reforçamos que, entre as medidas já encaminhadas, estão a elaboração de diagnósticos técnicos sobre a natureza e a magnitude dos cortes, a proposição de soluções regulatórias e operacionais, além da priorização de obras de transmissão e da instalação de equipamentos que aumentem a confiabilidade da rede.”

Procurado pelo Valor, o ONS afirmou que vem atuando no grupo e algumas melhorias já foram implantadas. Em paralelo, o operador informou que vem atuando junto ao MME, Aneel e EPE para avançar em soluções que poderão trazer ainda mais segurança e confiabilidade para o Setor Elétrico Brasileiro, como exemplo citou o uso de baterias para armazenar energia e regulação para a micro e minigeração distribuída.

“É importante ainda destacar que a alocação econômica dos efeitos das restrições de geração é um tema regulatório e que vem sendo debatido, com participação ativa do ONS, no âmbito da Consulta Pública 45, da Aneel”, diz a nota.

Por sua vez, a Aneel informou que a consulta pública, que trata de temas associados à classificação e hierarquização dos cortes, está em discussão, e em fase de análise das contribuições recebidas no âmbito da 3ª fase da consulta. Adicionalmente, informou que há uma resolução normativa que trata da remuneração e ressarcimento dos cortes de geração. A regra, dentre outros, estabelece os procedimentos e critérios para apuração e pagamento de restrição de operação por constrained-off.

 

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