Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Sky aposta em quatro pilares para navegar em mercado em transformação

O presidente da Sky, Gustavo Fonseca, afirmou nesta quarta-feira, 13, que, apesar das transformações nos modelos de comercialização e empacotamento de TV, quatro pilares permanecem constantes no mercado de televisão: conteúdo, experiência, distribuição e preço.

Durante sua participação no +TV Forum, evento realizado por TELETIME e TELA VIVA, o executivo detalhou a estratégia da operadora para navegar entre a tecnologia de satélite (DTH) e o streaming, apontando a pirataria como o principal desafio do setor.

“Eu acho que essas quatro coisas, elas não mudaram ao longo do tempo”, disse Fonseca sobre os pilares que orientam a empresa. Ele explicou que a estratégia da Sky busca se adaptar às diferentes realidades de conectividade do Brasil. Em locais com acesso limitado à Internet, a tecnologia de satélite (DTH) mantém sua relevância. Já em áreas conectadas, a empresa avança com o Sky+, sua plataforma de streaming.

Segundo o executivo, a migração para o digital é uma realidade controlada pela companhia. “No nosso número de usuários na nossa plataforma de streaming, metade são clientes puros e metade são clientes que têm também o nosso serviço satelital”, afirmou.

O crescimento do Sky+ é impulsionado principalmente por parcerias com provedores de Internet. “Hoje, o nosso principal motor de crescimento no Sky+ são as parcerias de B2B2C com provedores”, comentou.

Fonseca destacou o avanço na universalização da banda larga no País, que, segundo ele, foi impulsionado por empreendedores e pelo mercado de capitais, permitindo que o Brasil hoje tenha um número de residências passadas com fibra ótica similar ao dos Estados Unidos.

Pirataria
No entanto, o principal obstáculo para a indústria, de acordo com o presidente da Sky, ainda é a ilegalidade. “Eu acho que o principal competidor foi e seguirá sendo por algum tempo a pirataria”, declarou. Ele criticou o que chamou de “romantismo” em torno do tema e alertou para a destruição de valor que a prática causa. “Esquecem que por trás da ilegalidade tem uma destruição de valor enorme que impede a indústria de existir”.

Outra frente de atuação da empresa é o mercado de TVRO, a tecnologia de TV via satélite com canais abertos que substituiu as antigas antenas parabólicas. Para a Sky, que já possui uma operação satelital, o custo para oferecer o serviço é baixo, o que abre uma oportunidade para alcançar milhões de usuários.

“A partir desse serviço aberto, a gente pode alavancar outros serviços”, explicou, mencionando a possibilidade de os clientes do TVRO adquirirem pacotes de canais pagos de forma simplificada. O sucesso do TVRO no Brasil, segundo ele, também se deve à alta qualidade da televisão aberta no País, um diferencial em relação a outros mercados sul-americanos.

Sobre os pacotes que combinam canais lineares e serviços de streaming, os chamados “hard bundles”, Fonseca confirmou que a Sky já os oferece no Sky+ em parceria com empresas como Disney, Max e Paramount+, com negociações em andamento com a Globo. Para ele, o desafio é manter o preço acessível e melhorar a experiência do usuário, que considera prejudicada pela fragmentação de aplicativos.

Questionado sobre a Lei do SeAC, que impede a operadora de produzir conteúdo no Brasil, o executivo afirmou que a regra torna economicamente inviável a produção local, uma vez que o conteúdo não poderia ser distribuído para a base de clientes do satélite. Em contrapartida, Fonseca citou um alívio regulatório recente, quando a Anatel reclassificou a Sky, retirando a designação de poder de mercado significativo.

A mudança, segundo ele, gerou redução de custos operacionais, como a desobrigação de manter atendimento ao cliente durante a madrugada. “O cliente de televisão paga não liga de madrugada, pessoal, não liga”, exemplificou.

Em relação à estratégia de banda larga, o presidente da Sky descreveu o mercado como um “jogo de rouba-monte”, com alta competição e risco de rentabilidade baixa. A empresa, que entrou no setor por meio de redes neutras, pretende continuar construindo seu negócio de conectividade “sem fazer loucura”. E aposta na parceria com a Amazon Kuiper para avançar em mercados onde não existe alternativa de infraestrutura de banda larga e no mercado de mobilidade terrestre.

Para o futuro, Fonseca indicou que a Sky continuará focada nos quatro pilares, com a ambição de crescer no mercado de TVRO, construir um negócio de conectividade e gerenciar a transição de seus clientes do DTH para o streaming.

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