Conectividade, IA e robótica definem os rumos da agricultura de precisão, dizem especialistas no AGROtic
No segundo dia do AGROtic 2025, 30, o painel “Automação e Robótica no Agronegócio: do Sensoriamento à Colheita” reuniu especialistas da Solinftec, Instituto Eldorado e AgroData para discutir o estado da arte e as perspectivas da digitalização agrícola, com recursos de IA para maior conectividade.
As falas dos painelistas apontaram avanços concretos no uso de inteligência artificial embarcada, drones, plataformas autônomas movidas a energia solar e integração de dados, mas também destacaram gargalos persistentes de conectividade, adesão tecnológica e financiamento.
Anselmo Del Toro, co-fundador da Solinftec, apresentou o robô Solix, já em operação no Brasil e nos EUA, como exemplo do novo paradigma. “É um equipamento 100% autônomo, movido a energia solar e bateria, que não compacta o solo e faz aplicação localizada. Estamos economizando entre 90% e 95% de químicos e aumentando a produtividade”, afirmou.
Segundo ele, “toda mudança tecnológica na agricultura será puxada por necessidade. E a escassez de mão de obra já é uma realidade”. Portanto, a junção da robótica com a IA, é o modelo futuro para trazer mais conectividade ao campo, segundo painelistas do AGROtic.
Dados como insumo e conectividade como desafio
Gustavo Fedrizzi, diretor comercial da AgroData, defendeu o uso estratégico de sensoriamento remoto, inclusive por drones suíços da Wintra, como base para decisões agronômicas. “Hoje conseguimos imagens com resolução de até 7 milímetros. O objetivo é gerar mapas de planejamento, auditoria e correção localizada com precisão milimétrica”, explicou. Ele destacou a importância de estruturas como cooperativas e centrais de inteligência para ampliar o alcance da tecnologia: “É como uma telemedicina da agronomia”.
A questão da conectividade rural permeou toda a discussão. A Solinftec ressaltou que desenvolveu uma rede própria de 900 MHz para comunicação entre seus dispositivos e, quando necessário, usa soluções como Starlink ou cobertura 4G. “Conectividade é gargalo. O mais lógico seria ter redes robustas, mas tivemos que criar nossa própria solução para transmitir dados com eficácia”, disse Del Toro.
Fedrizzi reforçou que a falta de conexão ainda trava o uso de tecnologias em tempo real. “Não é um problema tecnológico, é de conscientização. Já existem torres sob demanda, mas é preciso que o produtor entenda o benefício.”
Sustentabilidade e viabilidade econômica caminham juntas
Para participantes do AGROtic 2025, automação e robótica no campo avançam com IA, energia solar e conectividade sob demanda. Sendo assim, a questão da sustentabilidade foi tratada como consequência — e não motivação principal — para a adoção de tecnologias. “O produtor compra inovação quando ela traz ganho econômico. O impacto ambiental é um resultado adicional”, disse Del Toro. Ele citou dados da Solinftec indicando trilhões de gramas de CO₂ evitados com menor uso de diesel e compactação do solo.
Fedrizzi reforçou: “A tecnologia ajuda a escolher o momento certo da intervenção, o que reduz uso de fertilizantes e defensivos. Isso se traduz em benefício ambiental e econômico”.
Adoção ainda é desafio, mas avanço é inevitável
Daniel Costa, consultor sênior de P&D no Instituto Eldorado, observou que a adesão tecnológica depende de ciclos de maturação, treinamento e contexto. “Não dá para soltar uma tecnologia nova e esperar adesão imediata. O agro exige MVPs muito mais completos. Já tivemos fases em que o produtor dizia: ‘esse mapinha não me ajuda em nada’.”
O Instituto tem desenvolvido câmeras multiespectrais de baixo custo, IA embarcada e aplicativos que usam imagens para preencher dados de campo automaticamente. “O desafio não é só técnico, é de produto. Temos que ir até a fazenda, entender a realidade, testar com o produtor”, explicou.
O futuro, segundo os painelistas, passa pela disseminação da robótica, uso de IA para gestão de cada planta ou metro quadrado, e presença de centrais de inteligência em cooperativas. “A fazenda do futuro terá uma espécie de ‘mini satélite espião’ analisando cada parcela do campo e decidindo o que, quando e onde intervir”, previu Fedrizzi.