Vivo cogita novas aquisições para avançar na fibra
Anunciada este mês, a aquisição do controle total da FiBrasil pela Telefônica Brasil visa a ampliar a penetração dos serviços de banda larga via fibra óptica numa base de 30,1 milhões de “casas passadas” (domicílios aptos a serem conectados), disse ao Valor o diretor-presidente da operadora, Christian Gebara, ressaltando que há possibilidade de novas aquisições neste segmento. Dona da Vivo, a Telefônica registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, conforme os resultados publicados na noite desta segunda-feira (28).
“Continuamos olhando [oportunidades], mas temos claro que precisamos aumentar o tamanho da nossa rede, dado o potencial que existe de fibra no Brasil”, ressaltou o executivo. A FiBrasil tem 4,6 milhões de casas passadas nas quais o serviço de banda larga fixa pode ser contratado. Ao todo, incluindo a infraestrutura da FiBrasil, o número de casas passadas da Vivo alcança 30,1 milhões.
A Telefônica estima em aproximadamente 60 milhões de domicílios o mercado total para serviços de banda larga via fibra, levando em consideração a atratividade comercial dessas residências. Constituída em 2021, a FiBrasil tinha 50% do seu capital nas mãos do fundo canadense CDPQ. A Vivo pagou R$ 850 milhões aos canadenses, passando a deter uma fatia de 75%. Os 25% restantes continuam com a Telefónica Infra, subsidiária da matriz espanhola.
Originalmente a FiBrasil era uma empresa de rede neutra – aquela disponível para contratação por qualquer provedor ou operadora. Mas o modelo de negócios não deslanchou conforme o esperado no Brasil.
“Todo esse movimento de redes de fibra neutra, com muitos clientes, não decolou no Brasil. Não a FiBrasil, mas o mercado de fibra neutra, em geral, teve pouca adesão de outros clientes, a não ser o cliente âncora. Nesse caso, a Vivo”, reconheceu Gebara.
Com a compra da participação do CDPQ, a Telefônica espera ganhar mais flexibilidade, inclusive em termos de aquisições, e também se beneficiar de sinergias. “Chegou o momento de termos um controle maior sobre esse ativo e podermos fazer uma gestão que tem mais sinergia agora operado por nós. E o potencial, inclusive, de aumentar a penetração. A penetração de clientes conectados à rede da FiBrasil é mais próxima de 16%. A nossa [Vivo] é superior a 24%”, comparou o executivo.
Entre abril e junho, a Telefônica Brasil contabilizou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, alta de 10% em relação a igual período de 2024. Entre abril e junho, a receita total da operadora somou R$ 14,6 bilhões, um incremento de 7,1% na mesma base de comparação. A expansão – acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – no faturamento foi puxada pela telefonia móvel pós-paga (mais 10,9%, para um patamar de R$ 8,2 bilhões) e pela banda larga via fibra óptica (alta de 10,4%, para R$ 1,9 bilhão).
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 5,9 bilhões no período, com ampliação de 8,8% e margem de 40,5%. No segundo trimestre de 2024, a Telefônica reportou margem Ebitda de 39,9%.
Ainda no segundo trimestre, os custos totais, excluindo os gastos com depreciação e amortização, totalizaram R$ 8,7 bilhões, avanço de 5,9% em base anual influenciado por uma maior atividade comercial.
Em termos gerais, o avanço dos custos foi parcialmente compensado por eficiências operacionais e pela maior adoção de canais digitais, como pagamentos por PIX, que responderam por 44% do total recebido pela companhia.
De acordo com a empresa, os serviços digitais corporativos e os novos negócios tiveram 11,2% de participação na receita total do período de 12 meses terminado em junho. Esse percentual era de 9,5% um ano atrás, evidenciando o esforço da Telefônica para diversificar receitas. “Se olharmos em valores absolutos, a receita [de serviços digitais] do B2C [consumidor final], que representa três pontos percentuais desses 11,2%, cresceu 14,8%”, diz Gebara. Os serviços para empresas, por sua vez, apresentaram expansão de 31,3% em 12 meses.
A operadora encerrou junho com uma base de clientes de 116,2 milhões de acessos, o que representa crescimento de 1,3% na comparação anual. A base pós-paga de clientes continuou a se expandir (alta de 7%), alcançando 68,5 milhões de acessos.
Perguntado sobre a possibilidade de venda pela matriz de uma fatia do capital da Telefônica, alternativa ventilada por um periódico espanhol, Gebara disse não ter qualquer informação neste sentido.
“O que posso dizer é que a Telefônica Brasil continua sendo um ativo central para a companhia, em conjunto com a Espanha, principalmente, com a Alemanha e o Reino Unido. O Brasil é o grande contribuinte para o resultado do grupo, em termos de crescimento e, principalmente, geração de caixa. Em 2024, representamos 23% da receita do grupo, mesmo com a desvalorização do real, e 32% do Ebitda do grupo. E 32% do fluxo de caixa operacional”, listou o executivo.
No fim de junho, o periódico espanhol “El Economista” informou que a multinacional espanhola dispõe de duas alternativas para fazer aquisições na Espanha e no restante da Europa sem ampliar sua dívida: realizar um aumento de capital ou vender uma participação de 20% das suas operações no Brasil. A Telefónica de Espanha detém fatia de 77,13% no capital da Telefônica Brasil.
