Abinee traz propostas ao governo para mitigar efeito do ‘tarifaço’ dos EUA
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica encaminhou, na quinta-feira (24), ofícios aos governos federal e do Estado de São Paulo com propostas para mitigar os impactos das tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre exportações industriais brasileiras, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto.
Os ofícios foram encaminhados na quinta-feira (24) ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
“O tarifaço traz risco iminente de perda de competitividade das exportações nacionais, podendo provocar paralisação de embarques e queda de encomendas”, disse a Abinee em comunicado nesta sexta-feira (25).
As propostas da Abinee enviadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) contemplam o aumento temporário da alíquota do Reintegra — programa do governo que oferece crédito tributário para empresas que exportam bens manufaturados. E, também, a suspensão da tributação sobre insumos usados na produção de bens exportados, bem como liberação de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou dos impostos PIS e Cofins sobre exportações aos EUA.
A associação também propõe ao governo federal a abertura de linhas de financiamento emergencial via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); a desoneração temporária da folha de pagamento a empresas dos setores elétrico e eletrônico, bem como ajustes no preço de transferência — preço pago por serviços ou bens transferidos de determinada unidade de uma empresa no Brasil para outras unidades fora do país — e o repasse de valores de fundos públicos setoriais
Para o governo estadual, a Associação propõe a aceleração dos processos de devolução de saldos credores acumulados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para empresas que exportam aos EUA.
As propostas no âmbito estadual ainda contemplam a ampliação e a flexibilização dos regimes especiais de ICMS e a criação de regime especial simplificado de suspensão do ICMS.
Atualmente, os Estados Unidos são os maiores importadores de componentes elétricos e eletrônicos produzidos no país. No primeiro semestre deste ano, os Estados Unidos representaram 29% do total exportado pelo setor eletroeletrônico brasileiro, informa a associação.
“As medidas representam instrumentos concretos de reação estratégica para que o Brasil mantenha sua capacidade de competir em escala global e não perca participação em cadeias globais de valor, especialmente na área de infraestrutura energética e industrial”, disse o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, em comunicado.
A entidade reiterou que “as propostas são de caráter temporário, ou seja, enquanto o ‘tarifaço’ produzir efeito econômico prejudicial”.
Exportações
No primeiro semestre de 2025, as exportações do setor somaram US$ 3,8 bilhões, 12% acima das realizadas no mesmo período do ano passado. Os Estados Unidos foram os principais destinos das exportações de produtos do setor, totalizando US$ 1,1 bilhão no primeiro semestre de 2025, com crescimento de 23% em relação ao igual período de 2024.
Os principais itens exportados para o mercado americano foram transformadores (82% exportados aos EUA, totalizando US$ 346 milhões) e os motores e geradores (33% exportados aos EUA, US$ 108 milhões).
Segundo a Abinee, os impactos causados pelo “tarifaço” também deverão prejudicar o desempenho total da indústria eletroeletrônica, visto que as exportações representam em média 17% do faturamento do setor.
No caso de produtos da área de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica (GTD) e equipamentos industriais — principais segmentos afetados pela medida norte-americana — este percentual atinge 24% e 21% respectivamente.
Humberto Barbato, presidente da Abinee — Foto: Silvia Zamboni/ Valor