Terça-feira, 7 de Abril de 2026

IBGE: Pela primeira vez, mais da metade da população acessa a internet pela TV

Em 2024, entre os 188,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade do país, 89,1% (ou 168,0 milhões) utilizaram a Internet no período de referência dos últimos três meses. O meio de acesso indicado pelo maior número de pessoas foi, destacadamente, o telefone móvel celular (98,8%), seguido, em menor medida, pela televisão (53,5%), pelo microcomputador (33,4%) e pelo tablet (8,3%). Os dados são do módulo anual da PNAD Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), divulgado hoje, 24, pelo IBGE.

Entre 2023 e 2024, houve aumento de pessoas que utilizaram a televisão e o tablet para acessar a Internet (3,7 p.p. e 0,7 p.p., respectivamente) e redução do uso do microcomputador (-0,8 p.p.).

O acesso à Internet por meio do microcomputador declinou de 63,2%, em 2016, para 46,2%, em 2019, até atingir 33,4% em 2024, o menor valor da série histórica. No entanto, entre os estudantes de curso superior ou de pós-graduação, mais de ¾ acessaram a Internet por meio de microcomputador em ambas as redes de ensino: 77,4% da rede pública e 77,5% da rede privada.

Já o percentual de pessoas que acessaram a Internet por meio de aparelho televisor subiu de 11,3%, em 2016, para 32,2%, em 2019, até alcançar em 2024, pela primeira vez, mais da metade dos usuários (53,5%). O uso do tablet, por sua vez, apresentou uma tendência de queda entre 2016 e 2022, manteve-se estável em 2023, e apresentou uma pequena variação positiva em 2024.

Para Gustavo Fontes, analista da pesquisa no IBGE, “no período abrangido pela pesquisa, observamos mudanças importantes no uso de equipamentos para acessar a Internet. Houve um crescimento substancial do uso da televisão para esse fim, ultrapassando, em 2024, mais da metade dos usuários da Internet, o que pode refletir, entre outros fatores, o avanço das plataformas de streaming. Por outro lado, o uso do computador para acessar a Internet tem apresentado uma tendência de queda desde o início da série, apesar de uma desaceleração dessa tendência observada a partir de 2023. Entre os estudantes, já se verificou, em 2024, uma interrupção da queda no uso do computador para acessar a Internet”.

Internet rural salta
Em 2016, ano inicial da série, 66,1% da população de 10 anos ou mais de idade havia utilizado a Internet no período de referência, subindo para 89,1% em 2024. Em 2023, 88,0% das pessoas de 10 anos ou mais haviam utilizado a Internet. Embora a utilização da Internet seja menor entre os residentes em áreas rurais, observou-se uma forte expansão de seu uso nesse grupo populacional, de 33,9% em 2016 para 81,0% em 2024. No mesmo período, os percentuais de utilização da internet em áreas urbanas subiram de 71,4% para 90,2%.

Em 2024, segundo o IBGE, a região Centro-Oeste (93,1%) manteve a maior proporção de pessoas que utilizaram a Internet, ao passo que as Norte (88,2%) e Nordeste (87,2%) permaneceram com os menores resultados. Entretanto, essas duas regiões apresentaram maior expansão desse indicador em relação ao ano anterior, com aumentos de 2,9 p.p. e 3,0 p.p., respectivamente; enquanto no Sudeste a proporção de usuários teve variação negativa de 0,6 p.p no último ano. No período de 2019 a 2024, a Norte e a Nordeste registraram altas de 18,2 p.p. e 17,2 p.p., respectivamente, nesse indicador, mostrando que a desigualdade regional quanto ao acesso à Internet está diminuindo.

Desigualdade de acesso à internet por cor ou raça diminui
A desigualdade de acesso à Internet por cor ou raça vem se reduzindo ao longo da série, aponta também o IBGE. Em 2024, o percentual de pessoas brancas que utilizaram a Internet no período de referência foi de 90,0%, um pouco maior que o estimado para pessoas de cor ou raça preta (88,4%) e parda (88,6%). Em 2016, as diferenças eram mais expressivas: 72,6% das pessoas brancas, 63,9% das pretas e 60,3% das pardas haviam utilizado a Internet.

Em relação ao sexo, 89,8% das mulheres utilizaram a Internet em 2024, um pouco acima do percentual apresentado pelos homens (88,4%). Por nível de instrução, o grupo de pessoas sem instrução (46,0%) apresentava um percentual de uso da Internet bastante inferior ao dos demais grupos de escolaridade, com destaque para aqueles com ensino superior incompleto (97,9%) e com superior completo (97,2%).

Utilização da internet entre os idosos mostra o maior crescimento
Em 2024, o percentual de pessoas que utilizaram a Internet, no período de referência, no grupo etário de 10 a 13 anos foi de 84,8%. Esse percentual cresceu sucessivamente nas faixas etárias subsequentes e alcançou 96,4% no grupo de 25 a 29 anos. Em seguida, a proporção de usuários declinou até 89,9%, no grupo de 50 a 59 anos, e 69,8% entre os idosos (60 anos ou mais).

O aumento do percentual de pessoas que utilizaram a Internet, entre 2019 e 2024, foi bastante expressivo no grupo etário de 60 anos ou mais: de 44,8% para 69,8% (expansão de 25,0 p.p.), seguido pelo grupo de 50 a 59 anos: de 74,4% para 89,9% (mais 15,5 p.p.). Em relação a 2023, esses grupos também apresentaram as maiores expansões no percentual de usuários da Internet (3,8 p.p. e 1,9 p.p., respectivamente).

Posse de Celular
Em 2024, o Brasil tinha 167,5 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade com telefone móvel celular para uso pessoal. Isto correspondia a 88,9% da população nessa faixa etária. De 2016 para 2024, entre a população de 10 anos ou mais, a posse de telefone celular subiu de 77,4% para 87,6% em 2023 e para 88,9%, em 2024. Nas áreas rurais, a expansão foi ainda maior, passando de 54,6%, em 2016, para 77,2%, em 2024.

Em 2024, no país, 20,9 milhões de pessoas não tinham telefone móvel celular para uso pessoal, representando 11,1% da população de 10 anos ou mais de idade, calcula o IBGE. Esse percentual era 18,6%, em 2019, e 12,4%, em 2023.

No grupo etário mais jovem (10 a 13 anos), o principal motivo para não ter celular foi a preocupação com a privacidade e segurança, apontado por 24,1%. Em seguida, vieram a falta de necessidade (22,8%) e o preço do aparelho telefônico (21,5%).

92% dos domicílios sob rede móvel
Em 2024, o percentual daqueles em que o serviço de rede móvel celular funcionava para Internet ou para telefonia foi de 92,0%, no total de domicílios do país; 95,3%, em área urbana; e 65,8%, em área rural.

Desde 2016, observou-se um aumento no número de domicílios com rede móvel celular para Internet ou para telefonia. Entretanto, desde 2022, o percentual de domicílios nessa condição apresentou uma estabilidade, caindo 0,1 p.p. em 2023 e voltando a subir 0,1 p.p. em 2024.

Entre 2022 e 2024, houve estabilização no percentual de domicílios com rede móvel celular, mas, em áreas rurais, houve quedas consecutivas, saindo de taxa de 69,4% para 65,8% em 2024, diz o IBGE. Com isso, a diferença entre as taxas nos domicílios urbanos em comparação aos rurais, em 2024, foi de 29,5 p.p., a maior da série. (Com assessoria de imprensa)

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