Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Estados Unidos lançam plano de ação para dominar a IA global e isolar a China

A Casa Branca divulgou nesta terça-feira, 23 de julho, o documento “Winning the Race: America’s AI Action Plan”, um plano nacional de inteligência artificial (IA) que articula mais de 90 ações federais dos Estados Unidos em três pilares: aceleração da inovação, construção de infraestrutura e liderança diplomática internacional. A estratégia, formulada com base no decreto assinado por Donald Trump em janeiro de 2025, busca consolidar a supremacia dos Estados Unidos no setor e tem repercussões diretas sobre o debate global de infraestrutura computacional e regulação da IA — incluindo interseções com as iniciativas brasileiras Redata, de ZPEs e PBIA.

No campo da infraestrutura, o plano prevê a criação de um novo marco para acelerar o licenciamento de data centers e fábricas de semicondutores, incluindo flexibilização de leis ambientais nos EUA, com revisão da legislação ambiental relacionada à água e ao ar. A proposta também determina a identificação de terras federais disponíveis para a instalação de data centers e geração de energia dedicada, com segurança reforçada para impedir o uso de tecnologias consideradas adversárias.

A expansão da capacidade energética é tratada como elemento crítico. O documento afirma que o grid dos EUA está defasado desde os anos 1970 e propõe uma reestruturação completa, com foco na estabilidade, eficiência e integração de fontes como geotermia, fissão e fusão nuclear.

A proposta ecoa diretamente o debate brasileiro sobre a criação do regime fiscal Redata, que também visa impulsionar a instalação de data centers de alto desempenho — sobretudo para IA generativa — com incentivos condicionados a exigências técnicas como resfriamento fechado e uso de energia renovável.

Exportação de “pacotes de IA” para aliados
Na frente diplomática, o plano do governo dos Estados Unidos estabelece a criação de um programa no Departamento de Comércio para estruturar e exportar pacotes completos de IA — compostos por hardware, modelos, software, aplicações e padrões técnicos — a países aliados. O objetivo é antecipar a demanda internacional por soluções de IA e impedir que rivais estratégicos, como a China, ocupem esse espaço.

Haverá, inclusive, ações para isolar o gigante asiático em fóruns internacionais. O governo norte-americano quer usar sua influência em organismos internacionais, como ONU, G7 e OCDE, para conter iniciativas que, segundo o documento, “promovem códigos de conduta vagos e alinhados a valores autoritários”.

A estratégia inclui medidas de controle de exportação de chips e ferramentas de manufatura de semicondutores, fechamento de brechas regulatórias, uso de sanções secundárias e ativação da Foreign Direct Product Rule (que proíbe triangulações comerciais que resultem no repasse de tecnologia americana a rivais) para assegurar que a liderança americana seja acompanhada apenas por aliados.

Posição contrária à regulação “onerosa”
O plano critica explicitamente a abordagem regulatória da gestão Biden e da União Europeia. Uma das primeiras ações do governo Trump foi revogar a Ordem Executiva nº 14110, de 2023, considerada pelo atual governo como impeditiva ao avanço da inovação. O texto também propõe revisar diretrizes da NIST para remover referências a “desinformação, diversidade, equidade e inclusão”, além de exigir que o governo federal só contrate modelos de linguagem avançados “livres de viés ideológico”.

O incentivo à adoção de modelos de código aberto e com pesos abertos também ganha destaque, com ações para maturar o mercado financeiro de computação de alto desempenho e ampliar o acesso de startups e pesquisadores aos recursos do National AI Research Resource. O objetivo é criar uma base tecnológica aberta, que possa se tornar referência global alinhada aos valores norte-americanos. Os equipamentos utilizados deverão ser feitos nos EUA, e mesmo as redes de telecomunicações utilizadas, deverão ser “livres de tecnologias adversárias estrangeiras”.

Formação de mão de obra e segurança
Na área trabalhista, o plano propõe ações para formar profissionais para ocupações essenciais à infraestrutura de IA, como técnicos de HVAC, eletricistas e operadores de data centers, com envolvimento direto dos departamentos de Educação, Trabalho e Energia. A proposta dialoga com a estratégia brasileira de formar profissionais técnicos por meio de parcerias com institutos federais e programas do Ministério da Educação no contexto do ReData.

Por fim, a segurança cibernética e a proteção da infraestrutura crítica ocupam espaço central. O plano prevê a criação de um AI-ISAC (centro de compartilhamento de ameaças em IA), diretrizes para resposta a incidentes envolvendo IA e fortalecimento dos padrões de uso seguro de modelos de fronteira, especialmente para fins militares e de inteligência. Também propõe a construção de data centers de segurança elevada para uso exclusivo da comunidade de defesa e inteligência.

Compartilhe: