Itaipu mira nova era como propulsora de energia múltipla
Com mais de 40 anos de operação e um papel central na geração de energia para Brasil e Paraguai, a Usina Hidrelétrica de Itaipu projeta seu futuro como uma plataforma energética multifonte. À frente dessa transformação, o diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, afirma que a empresa está preparada para se manter estratégica por pelo menos mais 194 anos, com base em três pilares: atualização tecnológica, preservação ambiental e diversificação de fontes de energia.
“Iniciamos um investimento de R$ 5 bilhões na modernização tecnológica da usina, que vai resultar na ampliação da produtividade em até 5%. Para uma usina com 14 gigawatts de potência instalada, esse ganho representa muito”, afirma Verri. Segundo ele, os equipamentos analógicos da década de 1980 estão sendo substituídos por sistemas digitais, garantindo segurança operacional e estabilidade para o sistema elétrico nacional.
A importância de Itaipu não se mede apenas pela geração de energia, que hoje representa cerca de 9%, devido à diversificação da matriz. Com o avanço das energias solar e eólica, consideradas intermitentes, a usina passou a operar como uma espécie de “seguro elétrico”.
“Hoje, temos um novo papel. Quando o vento cessa ou o sol se põe, Itaipu entra em ação. Chegamos a dobrar a entrega de energia em determinados momentos do dia. Atuamos como um corpo de bombeiros da matriz elétrica”, explica o diretor. Para isso, a manutenção é levada a sério: “É o coração da usina. Investimos fortemente na qualificação técnica e na prevenção”.
Além da hidreletricidade, Itaipu quer se consolidar como uma impulsionadora de fontes diversificadas de energia em sentido amplo. Projetos de inovação em biogás, hidrogênio verde e petróleo sintético (SAF, usado na aviação) estão em desenvolvimento pela Itaipu Parquetec. “Não é algo recente. Trabalhamos com biogás há 20 anos e com pesquisas de hidrogênio verde há 15. Agora, somamos essas experiências no desenvolvimento do SAF”, diz.
A expectativa da direção binacional é apresentar o protótipo do SAF na COP-30, em novembro. Outro projeto em estágio avançado é o de geração solar flutuante. “Vamos instalar placas solares em uma pequena fração do reservatório, respeitando o ecossistema. A ideia é abastecer toda a demanda energética da própria usina com energia solar e ainda oferecer excedentes à sociedade.”
O investimento socioambiental da usina é outro tema relevante para a empresa. “Somos reconhecidos pela ONU como referência em sustentabilidade. Mantemos um território de 434 municípios no entorno do reservatório. Se não preservarmos esse espaço, corremos risco de assoreamento, o que inviabilizaria a operação”, diz o diretor, justificando o aumento dos aportes em meio à expectativa de redução tarifária.
No horizonte de Itaipu, está a missão de não apenas produzir energia, mas também pensar o futuro da matriz energética da América do Sul. “Quando foi construída, Itaipu já foi uma revolução. Queremos que continue sendo. O mundo mudou, e a nossa atuação precisa refletir essa nova realidade”, conclui Verri.
Proteção do reservatório garante operação por pelo menos 194 anos
A Usina de Itaipu pode seguir operando por pelo menos 194 anos – essa é a projeção do corpo técnico da binacional, sustentada por uma combinação de engenharia de ponta, manutenção constante, atualização tecnológica e investimentos socioambientais robustos. O número, embora impressione, é fruto de um cálculo técnico detalhado.
Segundo o diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, a vida útil da hidrelétrica está diretamente ligada ao cuidado com o seu principal insumo: a água do reservatório de 170 km². “Ou seja, quanto mais conseguimos evitar o assoreamento do reservatório, quanto mais educação ambiental conseguirmos implementar na sociedade, no território que circula o reservatório, mais tempo de vida teremos”, explica.
Para Verri, o segredo da longevidade está na soma de fatores. “É uma soma de uma eficiência no projeto, na conta da sua construção, eficiência na atualização tecnológica dos equipamentos nessa transição, e principalmente nos investimentos socioambientais.”
