Operadoras podem destravar US$ 200 bilhões em receitas adicionais até 2028
As operadoras de telecomunicações podem levantar US$ 200 bilhões em receitas adicionais até 2028, desde que passem a explorar novos nichos e remodelem os seus serviços. Do contrário, o crescimento global do setor deve desacelerar e ter dificuldades, até mesmo, para acompanhar o ritmo da inflação.
É o que aponta o Panorama Global de Telecomunicações 2024-2028, publicado na última sexta-feira, 18, pela consultoria PwC. O relatório indica que, até 2028, o setor deve crescer, em média, apenas 2,9% ao ano – a critério de comparação, em 2023, por exemplo, a alta foi de 4,3%, para US$ 1,14 trilhão.
O que atravanca um avanço mais acelerado é que, mesmo os principais serviços – banda larga (alta projetada de 3,8%, ao ano) e telefonia fixa (+4,3%) – estão se tornando commodities, o que dificulta o reajuste de preços. Ao mesmo tempo, as empresas devem sofrer pressão por investimentos contínuos em infraestrutura.
De todo modo, a PwC indica que as empresas que souberem se adaptar a novas formas de operações e incrementar o portfólio de serviços devem abocanhar uma fatia maior das receitas adicionais.
Inteligência Artificial (IA)
O relatório afirma que “as operadoras de telecomunicações ocupam uma posição privilegiada para liderar” a malha de IA. Isso porque o setor tem experiência na implantação e operação de infraestruturas de rede e energia e contam com extenso portfólio de ativos imobiliários em pontos estratégicos, que podem ser usados para computação de borda.
“Essa evolução transforma o conceito tradicional de data center em uma iniciativa de densificação, de forma semelhante à que as operadoras de telecomunicações já promovem em suas redes”, diz o estudo.
“Isso as coloca em uma posição única: como verdadeiros nós centrais da malha, com acesso direto aos dados e à inteligência necessária para orquestrar o sistema, otimizar cargas e garantir eficiência em escala”, acrescenta.
Paralelamente, as empresas podem usar softwares de IA generativa como forma de reduzir custos e fricções no segmento B2C, a fim de personalizar serviços e gerenciar as redes de conectividade.
B2B
O declínio das margens de lucro no B2C está fazendo com que mais empresas redirecionem o foco para serviços corporativos (B2B). Segundo a PwC, a criação de produtos para determinados setores, como serviços de Internet das Coisas (IoT), soluções de infraestrutura de segurança e redes privativas, pode criar novas verticais para serem exploradas comercialmente.
Além disso, a investida em APIs de rede para o mercado, movimento também conhecido como Open Gateway, é uma nova frente geradora de receitas com empresas de outros setores.
Soluções de 5G
A PwC ressalta que as receitas com 5G, em função da migração de tecnologia móvel, mais do que quadruplicarão de 2023 (US$ 1,79 bilhão) para 2028 (US$ 7,51 bilhões). Dessa forma, próximo ao fim da década, o 5G deve ser a geração móvel dominante, mas ainda terá de compensar os investimentos em rede feito pelas empresas.
Com isso, a consultoria sugere a aposta no FWA, tecnologia de banda larga fixa que usa a rede móvel como meio de conectividade, como forma de ampliar as receitas com 5G, sobretudo em áreas rurais e localidades sem infraestrutura fixa de fibra óptica em áreas urbanas.
Segundo o relatório, o FWA deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR, na sigla em inglês) de 18,3% até 2028. As assinaturas devem chegar a 99 milhões. Contudo, ainda representarão apenas 6% da base global de banda larga.
Ainda no que diz respeito ao 5G, outro serviço à disposição das operadoras são as redes móveis privativas, embora o potencial desse mercado, para a consultoria, seja “considerado modesto”.
IoT
Por fim, outro segmento para o qual as operadoras deveriam ampliar os esforços é o de IoT. Em automóveis, por exemplo; inclusive, a receita total de IoT no setor automotivo deve mais do que dobrar entre 2023 e 2028, alcançando US$ 34,1 bilhões, com uma CAGR de 15,8%.
O estudo ainda aponta que mineração, petróleo, portos, entre outros setores que operam com equipamentos móveis ou externos, estão ampliando os casos de uso de IoT celular.
