Sexta-feira, 13 de Março de 2026

Ericsson cresce com aposta em IA e 5G standalone

A Ericsson registrou crescimento orgânico (descontados efeitos cambiais) de 2% nas receitas do segundo trimestre de 2025, alcançando SEK 56,1 bilhões (US$ 5,77 bilhões) e lucro equivalente a US$ 470 milhões, beneficiada pelo aumento das receitas com licenciamento de propriedade intelectual (IPR), pela ampliação da oferta de software em nuvem e pelo foco estratégico em tecnologias como redes programáveis, 5G standalone e inteligência artificial (IA). Considerando os efeitos cambiais, as receitas apresentam queda de 6% ano a ano.

Segundo a companhia, o número global de usuários de acesso fixo sem fio (FWA) ultrapassou 160 milhões, gerando aumento expressivo no tráfego de rede. A adoção do 5G standalone ainda é considerada limitada no mundo, mas é apontada como peça-chave para viabilizar aplicações de IA na borda da rede (edge), que demandam baixa latência e melhor desempenho de uplink, explica a Ericsson.

Desempenho por área
As receitas de IPR somaram SEK 4,9 bilhões (US$ 0,5 bilhão) no trimestre, com alta de 25% em relação ao mesmo período de 2024. A empresa destacou que o crescimento foi impulsionado pela resolução parcial de uma disputa de patentes e por receitas retroativas de períodos não licenciados. Aproximadamente 82% dessas receitas foram alocadas ao segmento de redes móveis.

No acumulado do ano, a Ericsson já arrecadou SEK 8 bilhões (US$ 0,82 bilhão) com licenciamento de patentes, e aponta que ainda há oportunidades adicionais para expansão dessa frente.

No segmento de Cloud Software and Services, que inclui plataformas de automação e orquestração, a receita totalizou SEK 14,4 bilhões (US$ 1,48 bilhão), com crescimento orgânico de 1%, queda de 5% sem normalização. A companhia aponta que essa divisão se beneficiou da “disciplina comercial, aceleração da automação e escalabilidade de software”, fatores que estão alinhados à estratégia de transformar redes em infraestruturas programáveis e com maior eficiência operacional.

O segmento Enterprise, que inclui a Vonage e soluções de redes privadas, ainda apresentou resultados negativos. A receita caiu 14%, para SEK 5,5 bilhões (US$ 0,57 bilhão), e o prejuízo operacional (EBITA ajustado) foi de SEK 0,5 bilhão (US$ 0,05 bilhão). A queda é atribuída à desaceleração de investimentos em mercados como a Índia e à redução deliberada da atuação em alguns países iniciada em 2024.

Já a divisão de redes móveis (Mobile Networks) somou SEK 35,7 bilhões (US$ 3,67 bilhões), com crescimento orgânico de 3% e margem EBITDA ajustada de 18,2%. O desempenho foi puxado pelas vendas na América do Norte, onde a empresa afirma ter se beneficiado de contratos conquistados anteriormente.

América do Norte lidera
A região das Américas foi a única com crescimento orgânico expressivo (10%), enquanto a Europa permaneceu estável. Em contrapartida, a receita da empresa caiu 28% na região que engloba Sudeste Asiático, Oceania e Índia, onde operadoras locais continuam postergando investimentos em novas redes.

As vendas na América Latina caíram no segundo trimestre, mas a empresa não especificou o quanto. Diz, no balanço, que o desempenho mais fraco na região foi causado pela combinação de “concorrência acirrada” e menor volume de investimentos em redes por parte dos clientes.

A companhia também alertou que há incertezas crescentes sobre o cenário macroeconômico e comercial para os próximos trimestres, especialmente quanto à possibilidade de novas tarifas comerciais e sanções. Esses fatores são considerados riscos potenciais para a demanda por equipamentos e serviços de rede, especialmente em ambientes regulatórios voláteis.

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