Tarifa de 50% de Trump: os 10 produtos brasileiros que mais sofrem com a guerra comercial
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto já provoca forte apreensão entre produtores, exportadores e especialistas. A medida, considerada agressiva por analistas, pode representar um baque bilionário nas exportações brasileiras, atingindo principalmente setores de alto valor agregado, como o agronegócio, indústria de transformação e tecnologia.
Os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em 2024, foram embarcadas grandes quantidades de café, carne, suco de laranja, petróleo, aeronaves, autopeças e bens eletrônicos. A aplicação da nova tarifa pode comprometer diretamente a competitividade nacional nesses segmentos.
Segundo o banco BTG Pactual, a nova taxa não será cumulativa com tarifas já existentes sobre automóveis, aço e alumínio. Setores isentos incluem petróleo, semicondutores e produtos farmacêuticos.
Setores sob ameaça
☕ Café
O Brasil exportou quase US$ 2 bilhões em café aos EUA em 2024. A tarifa pode tornar o grão brasileiro menos competitivo, encarecer o produto nos EUA e prejudicar fortemente os produtores. Segundo o Cecafé, o impacto recairá diretamente sobre o consumidor americano e as margens do setor.
🥩 Carne bovina
Em 2024, os EUA compraram 532 mil toneladas de carne brasileira, gerando US$ 1,63 bilhão em receita. A empresa Minerva calcula um impacto de até 5% na receita líquida. Já grupos como JBS e Marfrig podem sentir menos os efeitos por operarem diretamente no território americano.
🍊 Suco de laranja
Com 41,7% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, o setor citrícola terá uma das maiores perdas. A nova tarifa representa um aumento de 533% sobre os valores já pagos, o que inviabiliza economicamente os embarques. A CitrusBR alerta para o risco de colapso na cadeia produtiva.
🛢️ Petróleo
As exportações de petróleo somaram US$ 5,8 bilhões em 2024, mas o setor está isento da nova tarifa. A Petrobras já vem reduzindo os embarques aos EUA e pode redirecionar cargas com relativa facilidade, o que minimiza os danos.
✈️ Aeronaves
Com US$ 2,4 bilhões exportados para os EUA, as aeronaves brasileiras, especialmente da Embraer, representam 63% das exportações no setor. O impacto é considerado significativo e pode afetar diretamente a indústria nacional de aviação.
⚙️ Semimanufaturados de ferro e aço
Mais de 70% das exportações brasileiras desse tipo de produto vão para os EUA, totalizando US$ 2,8 bilhões. Parte já está submetida a tarifa anterior, o que mantém o cenário de forte pressão sobre a indústria siderúrgica.
🧱 Materiais de construção e engenharia
Com vendas de US$ 2,2 bilhões aos EUA, o segmento pode perder mais da metade de seu mercado externo.
🪵 Madeira
Os EUA compraram US$ 1,6 bilhão em produtos de madeira do Brasil em 2024. O setor pode perder espaço para concorrentes como Canadá e Chile.
🛠️ Máquinas e motores
Foram exportados US$ 1,3 bilhão em equipamentos industriais e geradores. O impacto deve recair sobre empresas como a WEG, uma das líderes no setor.
📱 Eletrônicos
As vendas de eletroeletrônicos para os EUA somaram US$ 1,1 bilhão apenas no primeiro semestre de 2024, segundo a Abinee. O setor considera o impacto da nova tarifa “preocupante”.
Queda bilionária em exportações e competitividade
Consultorias como a Cogo Inteligência e StoneX preveem queda expressiva na receita de exportações brasileiras. A concentração das vendas em poucos mercados e a dependência dos EUA como destino agravam o impacto da medida.
Setores como café, laranja e carne bovina não têm, no curto prazo, mercados alternativos que absorvam os volumes exportados aos EUA. A consequência pode ser excesso de oferta, redução de preços internos e fechamento de postos de trabalho.
