Sábado, 11 de Abril de 2026

Operadoras concentram vendas de smartphones premium no Brasil, diz executivo da Motorola

Embora as operadoras de telefonia respondam por apenas 20% das vendas de smartphones no Brasil, são elas as principais responsáveis por distribuir os aparelhos premium, de maior valor. A avaliação é de Rodrigo Vidigal, country manager da Motorola Brasil, que destaca o papel das teles na oferta de modelos premium e no relacionamento com clientes de maior consumo de dados e tecnologia.

“Esses 20% são extremamente importantes. São clientes heavy users, que procuram os telefones mais caros”, afirmou Vidigal em entrevista ao Tele.Síntese. Segundo ele, a Motorola mantém parcerias comerciais com as três grandes operadoras — Claro, TIM e Vivo — para o lançamento de modelos específicos, além de realizar ajustes técnicos para garantir a compatibilidade dos aparelhos com as redes de operadoras regionais como Brisanet e Unifique.

As operadoras já chegaram a liderar o mercado de vendas de smartphones, mas perderam espaço com o avanço do varejo. Hoje, cerca de 80% dos dispositivos são vendidos em grandes redes varejistas, que concentram a logística e o financiamento ao consumidor final.

Parcerias com operadoras regionais seguem em construção
Vidigal explicou que a Motorola mantém diálogo com ISPs regionais, mesmo sem acordos comerciais firmados até o momento. “Chegamos a conversar com eles, ajustamos os produtos para funcionar melhor nas redes. Estamos sempre disponíveis e abertos para isso”, disse.

Para o executivo, garantir que os aparelhos estejam otimizados para diferentes tipos de rede é fundamental para preservar a experiência do usuário e manter competitividade no mercado nacional.

Ciclo de troca e preferências do consumidor
O brasileiro troca de celular, em média, a cada dois a dois anos e meio — muitas vezes com o aparelho anterior já danificado. Segundo Vidigal, o consumidor nacional busca sempre um modelo superior ao anterior, mas tenta manter o custo sob controle. “Ele quer o próximo smartphone melhor, com câmera boa, bateria durável, memória suficiente para guardar fotos e vídeos, tela de qualidade e design bonito”, afirmou.

Os preços dos smartphones da marca variam entre R$ 1 mil (caso do Moto G05) e R$ 10 mil (linha RAZR dobrável). A faixa intermediária, representada pelos modelos da linha Moto G e Edge, é a mais procurada.

“A câmera ainda é o principal recurso de decisão de compra. O brasileiro adora tirar fotos, não deleta imagens e quer compartilhá-las com qualidade”, observou.

IA embarcada e smartphones como hub digital
Além do apelo visual e da performance, a inteligência artificial começa a ganhar espaço como diferencial nos aparelhos. Vidigal ressaltou que a Motorola utiliza IA embarcada em seus dispositivos há mais de uma década, especialmente para gerenciamento de bateria, câmera e desempenho. Mais recentemente, passou a integrar soluções de IA generativa, como o MotoAI, nos modelos mais robustos (Edge e RAZR).

Para o futuro, o executivo acredita que o smartphone será apenas um dos pontos de acesso ao ecossistema digital dos usuários. “O smartphone ainda é o coração da plataforma, mas a ideia é que relógios, fones e outros dispositivos se integrem em uma experiência contínua, com IA personalizada para cada perfil”, disse.

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