Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Operadoras de ônibus elétricos de SP acusam a Enel de não ligar carregadores

Concessionárias que operam no transporte público da cidade de São Paulo vêm relatando dificuldades para conseguir colocar seus ônibus elétricos nas ruas – ou até comprá-los – devido ao cronograma da Enel para ligar os pontos de recarga nas garagens.

Com isso, elas deixam os veículos parados e atrasam o cumprimento da Lei 16.802/2018, que define a redução de 50% das emissões em 2028 e 100% até 2038. A Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia no município, divulga o prazo de 120 dias para a instalação a partir da assinatura do contrato com as operadoras ( veja abaixo).

O imbróglio cria uma espécie de paralisia. O programa de subvenção da Prefeitura de São Paulo obriga que as empresas apresentem a infraestrutura de recarga pronta para obter o financiamento destinado à aquisição dos ônibus movidos a bateria. Mas, sem o fornecimento da Enel, as operadoras ficam impedidas de solicitar o benefício.

É o caso da A2 Transportes, dona de 494 veículos que circulam em 35 linhas na zona sul da capital paulista. Diariamente, ela transporta 280 mil passageiros. “Ainda não temos ônibus elétricos, pois a Enel não fez a eletrificação de nossa infraestrutura”, destaca o presidente Paulo Siqueira Korek. “Enquanto isso, estamos lidando com o envelhecimento da nossa frota”, acrescenta.

Ele explica que a A2 tem 170 veículos elétricos pré-encomendados e aguarda a instalação da energia para firmar o negócio com os fabricantes. “Até agora, investimos R$ 10 milhões nos equipamentos de recarga e, assim que a Enel ampliar a rede, projetamos gastar outros R$ 10 milhões”, revela. “A Enel alega questões técnicas e burocráticas que emperram a regularização do fornecimento de energia. O prazo inicial era março.” A Enel, por sua vez, garante que cumprirá o acordo.

MERCADO LIVRE. A Movebuss também se sente de mãos atadas. Dos 602 veículos de sua frota, apenas três são elétricos, usados em algumas das 35 linhas que transportam 315 mil passageiros por dia na zona leste. “Temos a intenção de comprar mais 82 neste ano. Só depende da Enel”, afirma o presidente António Alves de Oliveira.

A garagem da Movebuss possui um carregador ativo e 17 aguardando o fornecimento da energia. “A Enel informa que o processo administrativo interno para disponibilizar a energia está em análise”, diz. “Até agora, gastamos R$ 14 milhões e temos um plano de investimentos de mais R$ 200 milhões para 2025”, relata Oliveira. “Existe um mercado livre para compra de energia, porém, toda a infraestrutura de transmissão é de responsabilidade da Enel. Ou seja, estamos amarrados a ela”, completa.

A frota da Transunião Transportes é dividida em dois lotes. O chamado D3 possui 481 ônibus, ao passo que o D7 trabalha com 132 veículos. A empresa ainda não opera veículos elétricos em suas 47 linhas, que atendem 270 mil usuários por dia na zona leste da cidade.

“A Transunião possui carregadores suficientes para 158 ônibus elétricos. O contrato do D7 foi assinado em dezembro de 2024 e do D3 em fevereiro passado, com a Enel pedindo 240 dias de prazo”, depõe o presi

Operadoras dizem que não há a quem recorrer. Reuniões são feitas com a SPTrans, sem resultado

dente da Transunião, Lourival de França Monario. “Já investimos R$ 6,6 milhões em infraestrutura de 16 carregadores.”

A Enel rebate ao dizer que as obras nas duas garagens da Transunião estão em andamento dentro do prazo contratual, com previsão de entrega em maio e setembro de 2025. Monario desmente: “O trabalho da Enel é a ligação externa e nada está sendo feito”. assinado entre as partes. “A Enel sempre pede adaptações nas obras e, a cada solicitação, leva mais 120 dias para responder. Somos reféns dela”, afirma. Bispo cogita comprar um equipamento homologado e que gera 1 MW de energia por hora, ao preço de R$ 6 milhões.

“Dependemos da Enel para a distribuição de energia. Não dá para escapar. Uma possível solução é usar esse gerador, que funciona a partir da água. Aí a concessionária não tem como interferir”, salienta.

As transportadoras são GERADOR. A Auto Viação Trans- unânimes: não há a quem recorcap tem um pouco mais de sor- rer. Reuniões são feitas com a te. Dos 340 ônibus da frota, 130 SPTrans – órgão responsável são elétricos e 67 deles estão pela gestão da rede de transporem operação nas 26 linhas da te de passageiros do município região sudoeste da capital. O –, sem resultados efetivos.

proprietário Válter da Silva Bis- Em nota, a SPTrans atesta po explica que a companhia já que acompanha semanalmendesembolsou R$ 10 milhões na te as tratativas entre Enel e coninstalação de 19 pontos de re- cessionárias. “Hoje, há 80 veícucarga e R$ 338 milhões na com- los esperando nas garagens a pra dos veículos. disponibilidade de energia. Pa“A empresa precisa de 9 me- ra a inclusão de ônibus elétrigawatts (MW) de energia para cos no Sistema de Transporte conseguir colocar todos os Municipal, é necessário que a ônibus nas ruas, no entanto, a infraestrutura de recarga esteja Enel só me concede 3 MW”, em conformidade com as exidiz. A Enel, no entanto, argu- gências técnicas e contratuais”, menta que a quantidade libera- encerra. Ou seja, o entendimenda estava prevista no contrato to ainda parece bem distante. 

Compartilhe: