CPQD: OpenRAN pode ser uma estratégia de proteção de investimento
A infraestrutura de rede OpenRAN representa uma das tecnologias de conectividade com maior potencial para o futuro e, para além das suas vantagens em conexão e interoperabilidade, ela também pode ser considerada uma estratégia para a proteção de investimento. O apontamento foi feito por Gustavo Correa Lima, gerente executivo de soluções de conectividade do CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), durante o Fórum de Operadoras Inovadoras, nesta quarta-feira, 19. Organizado por Mobile Time e Teletime, o evento chegou neste ano a sua 8ª edição, e teve a presença do executivo do CPQD no painel especial “O gradual avanço do OpenRAN no Brasil”.
“Em um sistema OpenRAN, você tem uma série de novas interfaces para haver interoperabilidade desses pedaços entre diferentes fornecedores. Não é apenas a questão de você permitir essa composição de diferentes fornecedores, mas trouxe inovação em camadas que visam inteligência artificial para otimização da rede”, explica Lima.
“E o OpenRAN pode ser considerado até mesmo uma estratégia de proteção de investimento, porque se você precisa expandir sua rede daqui a um ano, dois, cinco anos, você não está amarrado a um único fornecedor para fazer essa expansão.”
O que é OpenRAN
OpenRAN (Open Radio Access Networks), é uma arquitetura de rede utilizada como base para a implementação de redes 4G e 5G. Em infraestrutura de redes convencionais, os hardwares e softwares são fornecidos por um único fornecedor, enquanto no OpenRAN, esses componentes são desagregados e podem ser fornecidos por diferentes empresas.
“É quase como se fossem componentes de um Lego que você compõe para montar a rede. Diferentemente das soluções que a gente tinha no passado, onde era muito verticalizada. Era uma grande caixa preta e que você precisava comprar do mesmo fornecedor, o rádio, o processamento da banda base, os sistemas de gerência”, lembra. “Em um sistema OpenRAN, você tem uma série de novas interfaces para haver interoperabilidade desses pedaços entre diferentes fornecedores.”
O executivo explica que atualmente, as redes 4G, 5G OpenRAN são aplicações que rodam dentro de uma infraestrutura híbrida, já sendo utilizadas por operadoras em outros países.
“Elas têm um nível de automação muito interessante, onde grandes operadoras nos Estados Unidos e no Japão estão demonstrando que a automação conseguida dentro do ambiente aberto reduz muito a equipe operacional da rede.”
Isso possibilita atualizações mais ágeis, já que as operadoras necessitam somente de uma equipe reduzida para operar a rede.
E por aqui?
No Brasil, a tecnologia de OpenRAN começou a ser discutida em 2020, e iniciada em 2021. O programa OpenRAN Brasil, realizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o CPQD, Inatel e o Instituto Eldorado, foi desenvolvido em três fases, já em andamento.
A primeira fase, com duração total de 36 meses, contou com a pesquisa e o desenvolvimento de componentes de uma rede 5G aberta e desagregada, incluindo o controle inteligente das redes de acesso (RIC, na sigla em inglês), suas aplicações e a orquestração e o gerenciamento da rede (Service Management and Orchestration, ou SMO).
Já a fase 2 é uma expansão da fase 1, e que tem como foco principal o desenvolvimento e a inovação de componentes tecnológicos que sejam importantes para a implementação da arquitetura OpenRAN.
Por fim, a fase 3, anunciada em dezembro de 2024, vai expandir os testes para outras regiões, como norte, sul, nordeste e centro-oeste.
“Esse é o projeto que tem como objetivo expandir esse testbed para ter mais pontos de presença através da rede, pelo menos para cada região do Brasil. Então teremos chamadas abertas, uma para região Norte, uma para região Nordeste e uma para região Sul.”
Lima também aponta algumas aplicações já em andamento da tecnologia de OpenRAN no país.
“Nós temos um projeto que está trabalhando com casos de uso e aplicações avançadas. Então temos um caso de telediagnóstico, que nós vamos implantar numa cidade lá do Piauí, uma rede privativa 5G OpenRAN Standalone.”
Esse projeto está sendo realizado em parceria com Samsung, com a Beneficência Portuguesa e com o Hospital das Clínicas. A ideia é realizar exames de telediagnóstico, como ecocardiograma à distância. No projeto, especialistas de São Paulo vão atender a fila de pacientes lá no Piauí.
Agora, através da parceria com universidades, a ideia é explorar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) em quatro grandes temas: o compartilhamento de infraestrutura para redes abertas em cidades menores (até 200 mil habitantes); a aplicação de IA para eficiência energética, segurança e redução de custos (TCO) em telecomunicações; habilitadores tecnológicos para aumentar a eficiência de redes abertas e a cobertura para redes não-terrestres (NTN) utilizando OpenRAN.
