Terça-feira, 7 de Abril de 2026

Cortes na geração de energia renovável vão manter investimentos em espera, aponta consultoria

 Os cortes de geração de energia renovável promovidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) devem continuar impactando os resultados financeiros das empresas de geração eólica e solar e vão manter os investimentos do setor em espera. A conclusão é da Clean Energy Latin America (Cela), consultoria especializada em energias renováveis. 

 O problema se agravou desde o apagão de 2023, quando o ONS adotou uma postura mais conservadora na operação do sistema elétrico, aumentando a percepção de risco sobre as empresas do setor no Brasil. 

Essa situação já impacta o valor de mercado das companhias e prejudica sua capacidade de captar recursos no mercado, segundo avaliação de bancos e instituições financeiras. “O desafio de 2025 continua sendo os cortes de energia e vai colocar investimentos ‘on hold’ [em espera]”, disse Camila Ramos, CEO da consultoria, em evento nesta quarta-feira (19), em São Paulo. 

 Os cortes ocorrem por três motivos: a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas, em que o gerador pode ser ressarcido por não ser responsável pelo problema; quando as linhas de transmissão atingem o limite de capacidade e a energia não pode ser escoada; e o excesso de oferta em relação à demanda. Nos dois últimos casos, não há direito a compensação. 

 Segundo Ramos, o setor nota um foco maior do governo no setor de óleo e gás, enquanto as soluções para os entraves do setor elétrico renovável avançam em ritmo mais lento. Ela observa ainda oportunidades em armazenamento de energia, como alternativas para mitigar os impactos dos cortes, e biocombustíveis. 

 

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