Terça-feira, 7 de Abril de 2026

PPPs realizam 64% dos investimentos na banda larga, aponta Anatel

Um balanço da Anatel sobre a atividade econômica das prestadoras de pequeno porte (PPPs) revelou que o grupo é responsável por praticamente dois terços dos investimentos em banda larga realizados no País. As PPPs também respondem por quase metade da receita líquida do segmento e do tráfego movimentado na rede fixa.

Os dados foram compilados pela Superintendência de Competição da Anatel (SCP), a partir de uma metodologia de coleta de dados entre mais de 7 mil prestadoras de pequeno porte (entenda mais no fim do texto). As informações são referentes ao período de 18 meses entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2024.

“A depender do trimestre analisado na série, o valor consolidado dos investimentos no setor varia entre R$ 4,2 bilhões a R$ 5,2 bilhões, de forma que as empresas PPPs são responsáveis, em média, por 64% do total de investimentos no SCM [Serviço de Comunicação Multimídia, denominação formal da banda larga]”, aponta o relatório.

svg%3E

Ao longo do período de seis trimestres, as PPPs investiram aproximadamente R$ 18 bilhões nas redes fixas, ante R$ 10,2 bilhões das incumbentes no mesmo período, notou a Anatel. A agência justifica a discrepância apontando que as grandes fazem sobretudo investimentos incrementais em redes existentes, por já possuírem infraestrutura consolidada e legada.

Já as PPPs acabariam por injetar, no agregado, valores significativos para construir e ampliar infraestruturas próprias – muitas vezes iniciando construções do zero, nota a Anatel. No início de 2023, as PPPs chegavam a reinvestir uma média de mais de 60% da receita operacional líquida, ainda que o percentual tenha caído em 2024, à medida que a receita cresceu mais que os aportes.

Para um técnico da Anatel ouvido por TELETIME, o conjunto bastante diverso de provedores também precisa ser levado em consideração. Há diferentes perfis de empresas – com muitas se “autofinanciando”, outras alavancadas e também aquelas que mobilizam investimentos para atender uma percentual baixo de usuários (algo que uma grande não faria).

Receita operacional líquida
Quando observada a receita operacional líquida (ROL) das PPPs, o cenário é de crescimento no período avaliado pelo relatório. Em média, as pequenas responderam por cerca de 46% do total de receitas do mercado de banda larga no período analisado.

 

svg%3E

 

“Se em números absolutos a ROL deste segmento apresenta valores pouco inferiores às não-PPPs, variando entre R$ 5,1 bilhões e R$ 6,1 bilhões [por trimestre], em termos percentuais o crescimento deste indicador é bem superior. No caso, a ROL das PPPs apresentou crescimento na ordem de 20% no período, ante apenas 4% para as empresas incumbentes”.

Já em termos de receita média por usuário (ARPU), as grandes empresas levam vantagem, com indicador mensal na casa dos R$ 103 ao fim do período analisado. As pequenas, por sua vez, tinham ARPU na casa dos R$ 92 no segundo trimestre de 2024.

“Os valores inferiores também podem ser explicados em decorrência destas empresas atuarem em regiões de menor poder aquisitivo, quando comparadas às regiões preferenciais das não-PPPs, bem como por algumas ofertas mais vantajosas que essas empresas disponibilizam aos consumidores na comparação com as incumbentes”, aponta a área de competição da Anatel.

Tráfego
No caso do tráfego de dados, a média ponderada elaborada pela Anatel indica as provedoras com na média 46% do volume gerado nas redes de banda larga. Neste caso, o grupo de 13 PPPs maiores (com receita acima de R$ 300 milhões) é responsável por metade do tráfego do conjunto de pequenas operadoras.

 

 

svg%3E

 

“Porém, é preciso destacar que, devido a questões envolvendo a possível subnotificação de acessos de algumas PPPs, bem como do trabalho envolvendo a curadoria das informações no tratamento de dados inconsistentes por parte das PPPs, esse indicador é passível de alteração”.

Metodologia
Atualmente, aproximadamente 7,3 mil empresas vêm realizando sistematicamente a inserção de dados no sistema Coleta de Dados da Anatel. A base, contudo, é relativamente recente, o que exige um amplo trabalho de verificação e checagem dos dados, reconhece a agência.

“No presente estudo foi realizada também uma segunda análise, o qual levou em consideração a exclusão de registros das empresas que apresentavam indicadores de receitas, investimentos ou tráfego inconsistentes em relação ao padrão das empresas Não PPPs, eliminando possíveis outliers que poderiam distorcer a análise”, pondera a Anatel.

 

Compartilhe: