Terça-feira, 7 de Abril de 2026

CPFL capta R$ 800 mi com BNDES para implantar medidores inteligentes em SP, MG e PR

 A CPFL, empresa controlada pela chinesa State Grid, captou com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um financiamento de R$ 800 milhões para apoiar seu plano de digitalização dos equipamentos que fazem a medição de três concessionárias de distribuição de energia nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

 Os recursos fazem parte do BNDES Mais Inovação para aquisição e instalação dos chamados “medidores inteligentes” (smart meters, na tradução para o inglês) em substituição aos medidores analógicos tradicionais. Esses equipamentos permitem uma medição mais precisa e eficiente do consumo de energia elétrica, além de possibilitarem o monitoramento remoto e em tempo real dos dados de consumo. 

 O investimento integra o plano da CPFL de substituição de medidores nas áreas de concessão de cada uma das concessionárias, previsto para se estender entre 2025 e 2029, com um custo total estimado em mais de R$ 1,2 bilhão. Normalmente, os recursos aportados são realocados na tarifa dos consumidores.

 A CPFL tem cerca de 10,6 milhões de clientes distribuídos em quatro distribuidoras. Entretanto, os recursos serão destinados a três concessionárias controladas pela holding da CPFL, que prestam serviço público de distribuição de energia elétrica: CPFL Paulista, CPFL Piratininga e CPFL Santa Cruz. A RGE, no Rio Grande do Sul, está fora deste plano de troca de equipamentos.

 Serão R$ 326,3 milhões para a CPFL Paulista, que atende cerca de 5 milhões de clientes em 234 municípios de São Paulo; R$ 411,4 milhões para a CPFL Piratininga, com 2 milhões de clientes em 27 municípios paulistas; e R$ 62,1 milhões para a CPFL Santa Cruz, com 511 mil clientes em 45 municípios em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

 A tecnologia dos medidores inteligentes melhora a eficiência dos serviços, já que permite à distribuidora realizar diversas operações de forma remota e possibilita ao cliente monitorar online o próprio consumo de energia. 

 “As redes inteligentes representam uma das maiores evoluções tecnológicas que teremos no setor de distribuição nos próximos anos e a troca de medidores é a base dessa transformação. Estamos falando de uma inovação que coloca o cliente no centro, oferecendo eficiência, acompanhamento no uso de sua energia e uma nova experiência ao consumidor. Devemos telemedir cerca de 400 mil clientes a cada 12 meses”, disse ao 

 Também é possível, por exemplo, identificar eventual interrupção no fornecimento de energia e realizar serviços à distância, como a leitura de consumo e reconexões. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, esse é o primeiro plano de investimentos para a implantação de medidores inteligentes aprovado pelo BNDES. 

 “O projeto resultará na aquisição de equipamentos inovadores, de fabricação nacional, que oferecem diversos recursos tecnológicos para gestão do consumo de energia, garantindo agilidade nos serviços prestados pelas distribuidoras, beneficiando os consumidores”, diz.

 Outras empresas que atuam no segmento de distribuição têm apostado na troca de medidores para melhorar os serviços. A italiana Enel tem o maior parque de medição inteligente do país com cerca de 1,3 milhão de medidores instalados. De 2020 a 2024, a Enel São Paulo investiu cerca de R$ 840 milhões no projeto de instalação de smart meters em São Paulo, além de destinar cerca de R$ 117 milhões em recursos de P&D na iniciativa. Outras iniciativas também vem ocorrendo nas áreas de concessão da Copel, Equatorial, Cemig e Celesc.

 

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