Brasil defende integração energética com Venezuela apesar de relações políticas estremecidas
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), afirmou que o Brasil deve avançar na retomada da interconexão elétrica com a Venezuela para importação de energia, mesmo diante das atuais tensões diplomáticas com o país vizinho.
Roraima é o único Estado brasileiro que não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o que impede o acesso à energia proveniente de hidrelétricas e o deixa dependente de termelétricas movidas a óleo diesel e óleo combustível — uma solução cara e ambientalmente prejudicial.
A linha de transmissão Manaus-Boa Vista está com as obras adiantadas e deve entrar em operação no quarto trimestre de 2025. As obras ficaram paradas por mais de uma década à espera de licenciamento ambiental. Mesmo com a previsão de que o Estado seja integrado em breve, o ministro defende que o Brasil deve retomar a interconexão a fim de aproveitar os recursos dos países vizinhos em situações de emergência ou complementaridade.
“A integração energética da América do Sul é defendida por nós há muitos anos. Estamos interligados com o Paraguai, Uruguai e Argentina. É importante que nos interligamos à Venezuela, à Guiana e depois à Colômbia e à Bolívia”, disse Silveira ao Valor, durante o durante o Future Mineral Forum, evento realizado em Riade, na Arábia Saudita.
O Ministério de Minas e Energia (MME) já autorizou a realização de testes de três dias para avaliar a viabilidade de importar energia da Venezuela, um passo que, segundo o ministro, reforça a importância da integração energética no Cone Sul.
Contudo, as relações políticas entre Brasil e Venezuela podem ser um desafio adicional ao processo. Recentemente, o regime de Nicolás Maduro fechou temporariamente as fronteiras, e o diálogo bilateral tem sido marcado por atritos.
Um ponto de tensão foi a exclusão da Venezuela do grupo dos Brics durante a cúpula realizada em Kazan, na Rússia, em 2024, o que gerou críticas diretas de Maduro ao Brasil. Além disso, o governo brasileiro disse que não reconhecerá o resultado das eleições presidenciais venezuelanas de 2024 sem a divulgação oficial das atas de votação.
Apesar do cenário político adverso, Silveira defende que questões diplomáticas não devem se sobressair aos interesses nacionais e regionais.
“As relações diplomáticas ou políticas não devem se sobrepor ao pragmatismo e ao resultado do interesse nacional, que é a melhoria da vida das pessoas. Em muitos momentos, é importante ajudar na segurança energética dos nossos vizinhos e, em outros, receber ajuda para evitar crises como a falta de suprimentos que enfrentamos em 2021, no governo anterior”, declarou Silveira.
Até 2019, o Brasil importa energia da Venezuela, mas por questões ideológicas, o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rompeu o contrato com o regime de Maduro. A principal vantagem era que a energia da Venezuela era barata. Por outro lado, o fornecimento era considerado precário por conta de cortes no suprimento e problemas na linha.
