Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Setor eletroeletrônico volta a crescer em 2024

 Depois de encolher em 2023, a indústria elétrica e eletrônica encerra 2024 em franca recuperação. O setor projeta fechar o ano com faturamento de R$ 226,7 bilhões, um crescimento de 11% em relação a 2023, e uma expansão de 10,2% na produção física. A projeção para 2025 é de aumento de 6% no faturamento, para R$ 241 bilhões, e de 5% na produção física. 

 O cenário é da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O resultado deste ano veio acima do esperado pela entidade, que antes projetava avanço de 7% neste ano, e mostra que o setor se recuperou após uma queda de 6% no ano passado, para R$ 204,6 milhões, e recuo de 10% no volume de produção ante 2022. 

 “É bem verdade que tivemos uma queda considerável em 2023, mas o importante é que estamos recuperando investimentos no setor, já superando os resultados de 2022”, disse nesta quinta-feira (12) o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, a jornalistas. 

 Os investimentos da indústria também crescem em 2024, somando R$ 3,9 bilhões, alta de 10,2% em base anual. A utilização da capacidade instalada passou de 73% em dezembro de 2023 para 79% neste final de ano. 

 Barbato destacou o avanço das exportações, especialmente para os Estados Unidos. O país representou 26% das exportações da indústria brasileira este ano, tornando-se seu principal comprador, com destaque ao setor elétrico. “É um motivo de satisfação vendermos ao mercado mais exigente do mundo do ponto de vista técnico”, comentou o presidente da Abinee. “Isso nos leva a concluir que a indústria eletroeletrônica brasileira está em um patamar bastante competitivo em relação a outros países”. 

 As exportações do setor alcançaram US$ 7,5 bilhões, um avanço de 4% ante 2023. Neste período, as importações cresceram 12%, somando US$ 47,9 bilhões. 

 A projeção do setor para 2025 é mais conservadora, com aumento no faturamento de 6% e de 5% na produção física. Segundo a Abinee, a postura dos empresários diante do cenário econômico do país é de cautela, especialmente quanto à política fiscal. 

 O aumento de um ponto percentual da taxa básica de juros Selic, para 12,25%, anunciado na quarta-feira (11) pelo Copom, veio acima do esperado pelo setor. “O aumento da taxa de juros sempre é preocupante porque nossos produtos demandam financiamento”, disse o presidente da Abinee. Ele ponderou, no entanto, que o avanço da Selic não deve impactar a projeção já conservadora do segmento para o ano que vem. 

 Os investimentos do setor em 2025 devem totalizar R$ 4,2 bilhões, resultado 7% acima do verificado em 2024. A expectativa é de que as exportações continuem contribuindo com o desempenho do setor, com elevação de 3% e que as importações cresçam 2%, no ano que vem. 

 As vendas de celulares irregulares, que entram no país de forma ilegal, recuaram em 2024, mas ainda preocupam a Abinee. 

 Este ano devem ser vendidos 8,3 milhões de aparelhos irregulares no país, ante 10,9 milhões em 2023, segundo dados da consultoria IDC apresentados pela entidade, mas a parcela ainda é significativa. Em 2025, a projeção é de 5,2 milhões de unidades comercializadas ilegalmente, o equivalente a 14% das vendas. 

 No mercado legal, 2024 será o primeiro ano de alta das vendas de celulares desde 2020 no Brasil, com projeção de 33,1 milhões de unidades comercializadas, alta de 3,4% ante 2023. As vendas de computadores e tablets devem alcançar 10,5 milhões de unidades este ano, alta de 6,1% em base anual. 

 

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