Segunda-feira, 6 de Abril de 2026

Na sombra do novo decreto, edital da faixa de 700MHz entra na pauta do Conselho Diretor

Está na pauta do conselho diretor da Anatel que acontece no próximo dia 5, sob a relatoria do conselheiro Vicente Aquino, a proposta de consulta pública para o edital da faixa de 700 MHz. Se aprovado, o texto terá que passar por uma análise de 150 dias pelo TCU, o que leva o período mais provável de realização do certame para o meio do ano que vem, entre junho e julho. O alvo da licitação é encontrar um destino para os 10 MHz de espectro que sobraram na faixa com a desistência da Winity, e a expectativa é de um leilão regionalizado, para permitir acesso dos operadores regionais a esta faixa.

Mas segundo alguns interlocutores ouvidos por este noticiário, o Decreto 12.282/2024 publicado nesta segunda, 02, tem potencial de afetar os rumos da discussão na Anatel. Isso porque o decreto deixa claro que caberá ao Ministério das Comunicações “definir diretrizes e as estratégias para a execução de políticas públicas de telecomunicações, de radiodifusão, de conectividade e de inclusão digital, no âmbito da administração pública federal, inclusive aquelas relacionadas aos compromissos realizados a partir do aporte de recursos decorrentes de leilões de autorização para o uso de radiofrequência”. O alvo do decreto, segundo apurou este noticiário, é sobretudo a atuação do GAPE, grupo gestor da Anatel comandado por Aquino e que cuida das contrapartidas do edital de 5G para educação conectada.

As relações entre o governo e Vicente Aquino não parecem ser das melhores, e há quem aposte que o conselheiro poderia tentar, de alguma forma, blindar o futuro leilão de 700 MHz de ingerência futura do Ministério das Comunicações. Mas é improvel que isso possa ser feito ainda na fase de consulta pública, ainda mais com o edital pendente de análise pelo TCU, e obviamente não há como a Anatel se insurgir contra um decreto presidencial sem que isso escale ainda mais o conflito entre a agência e o Executivo.

De qualquer forma, a definição sobre como será a licitação do que resta da faixa de 700 MHz, as contrapartidas que serão pedidas, o caráter arrecadatório (ou não) do leilão e a forma de gerir essas obrigações do edital será o primeiro teste na relação Anatel/Minicom depois do decreto.

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