O impacto do lixo eletrônico e a importância da economia circular
Os dispositivos eletrônicos estão presentes em quase todos os aspectos da vida moderna, mas seu descarte inadequado cria desafios ambientais e econômicos. Equipamentos como celulares, laptops e utensílios domésticos, quando descartados sem critérios, tornam-se resíduos eletroeletrônicos (REEEs), uma das maiores fontes de desperdício no mundo. Marcelo Souza, especialista em economia circular, alerta sobre os danos provocados por essa prática e propõe soluções sustentáveis.
Segundo a União Internacional de Telecomunicações, 97% dos REEEs na América Latina não têm destino sustentável, resultando na perda anual de cerca de US$ 1,7 bilhão em materiais recuperáveis, como ouro, prata e cobre. No Brasil, a alta rotatividade de aparelhos, com uma média de três celulares por pessoa nos últimos 10 anos, reforça o impacto desse descarte. Além das perdas econômicas, materiais tóxicos presentes nos dispositivos, como chumbo e mercúrio, podem contaminar o solo e a água, afetando a saúde humana e o meio ambiente.
A economia circular surge como alternativa para transformar este cenário. Souza destaca que o reaproveitamento de componentes, a reciclagem de materiais preciosos e a remanufatura de aparelhos podem minimizar os danos ambientais e gerar empregos formais. Empresas que adotam programas de reciclagem e recondicionamento não apenas reduzem o desperdício, mas também criam valor a partir do que antes era descartado.
Soluções simples, como a doação de dispositivos em bom estado para comunidades carentes e a conscientização sobre descarte correto, também têm impacto significativo. “Com reciclagem adequada, podemos recuperar até 60% dos metais preciosos presentes nos aparelhos e evitar que recursos valiosos sejam perdidos em aterros sanitários”, explica Souza.
A mudança para um futuro mais sustentável exige a união de esforços entre governos, empresas e a sociedade. Marcelo Souza reforça que a transição para a economia circular não é apenas uma questão ambiental, mas uma oportunidade para transformar desafios em benefícios econômicos e sociais.
