6G começa a mostrar a sua cara
As operadoras móveis ainda não querem falar muito sobre o 6G porque estão ocupadas procurando novas fontes de receita para obterem o retorno sobre o investimento que fizeram em espectro e nas redes 5G. Porém, alguns fabricantes já começaram a mostrar no MWC26, em Barcelona, como imaginam que será a sexta geração de telefonia celular.
A aplicação mais inovadora prooposta para o 6G será a capacidade da rede de “enxergar” objetos em movimento dentro da sua área de cobertura, serviço batizado como ISAC (Integrated Sensing and Communication). Na prática, é como se a rede funcionasse como um radar. Ao analisar os reflexos dos sinais emitidos pelas antenas sobre os objetos ao redor, é possível identificá-los.
De certa forma, é uma evolução dos antigos serviços de localização por triangulação de ERB de vinte anos atrás, então chamados de Location Based Services (LBS). Só que há uma diferença importante: enquanto no LBS somente objetos com SIMcard eram localizados, no 6G será possível identificar qualquer coisa dentro da área de cobertura, seja uma pessoa, um ônibus, um pássaro etc.
A qualidade da resolução melhora quanto maior for a largura do canal utilizada pela rede. Em testes feitos pela Qualcomm nos EUA e demonstrados no MWC26, foram usados 100 MHz nas faixas de 3,5 GHz e 400 MHz em 28 GHz para detectar carros e drones. Importante ressaltar que a funcionalidade de “sentir” os objetos ao redor não interfere na capacidade de transmissão de dados da rede 6G.
Nos testes da Qualcomm, a rede 6G foi capaz de detectar um drone a uma velocidade de 15 metros por segundos e a uma distância de 800 metros, o que seria difícil para uma câmera de vigilância.
A Ericsson também realizou testes com ISAC para a detecção de drones nos EUA. Em conversa com Mobile Time, o presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, Rodrigo Dienstmann, destacou o potencial dessa tecnologia para aplicações de defesa, já que drones vêm sendo utilizados para a guerra e conseguem escapar dos radares tradicionais.

Estande da Qualcomm no MWC26 destaca 6G (Crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)
6G ainda não padronizado
Cabe lembrar que as especificações do 6G ainda não estão definidas pelo 3GPP. A expectativa é de que isso aconteça em 2028 e que as primeiras redes comerciais sejam implementadas em 2030. O ISAC é uma das funcionalidades que possivelmente fará parte do Release 19 do 3GPP.
