Domingo, 5 de Abril de 2026

600 MHz: Chile estuda destinação da faixa para serviços móveis

O Chile está com uma consulta pública aberta sobre uma eventual habilitação da faixa de 600 MHz para serviços de móveis (IMT, na sigla em inglês). Lá, como no Brasil, o espectro é atualmente ocupado pela TV digital terrestre.

A Subsecretaria de Telecomunicações (Subtel) recebe contribuições sobre o tema até 9 de abril. No documento da consulta, o órgão chileno de telecom afirma que “a banda de 600 MHz representa um recurso muito valioso para as telecomunicações móveis, especialmente em áreas extensas ou rurais”, em função de suas características de “propagação e compatibilidade com equipamentos”.

No Chile, a faixa de 600 MHz (especificamente de 614 MHz a 698 MHz) está identificada para transmissão de televisão digital dos canais 38 a 51, mas o regulador do país entende que a banda “pode ser usada para outros fins, em particular para serviços móveis IMT e serviços de acesso fixo usando a tecnologia TV White Space”.

Em termos práticos, o Chile indica que os serviços móveis como o 5G, seguindo a padronização do 3GPP, poderiam ocupar as bandas n71 (uplink de 663 MHz a 698 MHz, downlink de 617 MHz a 652 MHz) e n105 (uplink de 663 MHz a 703 MHz, downlink de 612 MHz a 652 MHz).

Inclusive, a subsecretaria lembra que a banda n71 já é utilizada como serviço móvel nos Estados Unidos e no Canadá e se encontra em estágio inicial no México. Já a banda n105 foi escolhida por países da Ásia-Pacífico, como a Índia, embora a implantação comercial ainda não tenha ocorrido.

Alternativas
No Chile, uma possibilidade para liberação dos 600 MHz para o o serviço móvel seria migrar canais da faixa de 614 MHz a 698 MHz para a faixa parcialmente disponível de 470 MHz a 512 MHz.

Outra, considerada “mais lógica e transparente”, seria migrar canais para a parte inferior da banda UHF, especificamente os canais 21 a 36 (512-608 MHz). Em função do grande número de canais, especialmente em cidades maiores, poderia ser impossível realizar toda essa migração.

O regulador também sugere a imposição de uma medida de uso eficiente de espectro. Neste caso, duas concessionárias de TV digital poderiam combinar os sinais na mesma frequência.

Outra alternativa é a migração da TV chilena para o padrão de transmissão de TV digital terrestre ATSC 3.0. Inclusive, o órgão chileno lembra que o Brasil adotou o padrão como base tecnológica da TV 3.0 (fazendo uso da faixa de 300 MHz) e que isso poderia ajudar a resolver o problema de televisores e receptores que não são compatíveis com a nova tecnologia.

“A vantagem é que os receptores [de TV 3.0] vendidos no Brasil provavelmente terão os dois padrões brasileiros, já que se estima que, sendo um país grande e fabricante de televisores, eles poderão incorporar os padrões ISDB-Tb e ATSC 3.0”, diz a Subtel.

Disputa no Brasil
No Brasil, vale lembrar, a destinação da faixa de 600 MHz é um debate antigo. O setor de radiodifusão já manifestou posição contrária a uma eventual alocação da faixa para serviços móveis, mas há emissoras de TV considerando a possibilidade de vender, em caráter secundário, o uso do espectro.

O Ministério das Comunicações (MCom), por sua vez, já indicou a intenção de reservar a banda para o 5G Broadcast, tecnologia que permite levar a TV 3.0 para dispositivos móveis. Um teste já foi feito, mas na faixa de 755 MHz.

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