6 GHz: Regulador britânico propõe convivência entre Wi‑Fi e móvel
“Queremos ver o Wi‑Fi semeando o mercado com dispositivos compatíveis com o upper [faixa superior dos] 6 GHz, ao mesmo tempo em que preparamos o ambiente para a chegada do 6G”, informou a agência.
A medida complementa a decisão da Ofcom de permitir, também com AFC, a operação de Wi‑Fi outdoor e de maior potência no lower [parte baixa do espectro de] 6 GHz (5925–6425 MHz), tradicionalmente usado apenas para redes internas e de baixa potência.
Disputa semelhante no Brasil
O debate sobre a destinação da faixa de 6 GHz tem sido um dos mais intensos na regulação do espectro no Brasil. De um lado, associações de provedores de internet e empresas de tecnologia como a Apple defenderam, durante a Consulta Pública nº 9/2025 da Anatel, a alocação integral da faixa para o Wi‑Fi, com base em argumentos de eficiência e ampliação do acesso. De outro, as operadoras móveis pleitearam parte da faixa para redes licenciadas, incluindo futuras aplicações 6G.
Em 2025, a Anatel decidiu manter a divisão da faixa entre Wi‑Fi e SMP (Serviço Móvel Pessoal), rejeitando pedidos de revisão apresentados por entidades como Abrint e Associação Neo. A decisão foi ratificada em voto do Conselho Diretor, que considerou legal o processo de alocação e reafirmou o interesse público na divisão equilibrada da banda.
“O Brasil não tem outro espectro adequado ao 6G além dos 6 GHz”, já justificou o superintendente da Anatel, Vinícius Caram, em evento setorial, reforçando o alinhamento da agência com a tendência internacional de divisão da faixa.
AFC como solução de convivência
A proposta da Ofcom destaca o papel dos sistemas de coordenação automática de frequências (AFC) para permitir a coexistência segura entre diferentes serviços. Esses sistemas cruzam informações de localização geográfica, licenças ativas e potência de transmissão para determinar, em tempo real, quais frequências podem ser usadas em cada ponto da rede.
No modelo britânico, dispositivos Wi‑Fi de potência padrão e clientes fixos precisarão acessar um banco de dados AFC antes de transmitir, garantindo que operem apenas nas frequências permitidas para sua localidade. A proposta também restringe o uso entre dispositivos móveis clientes, impedindo conexões diretas fora do controle do ponto de acesso principal.
Visão internacional e harmonização
A Ofcom afirma que sua proposta está alinhada a frameworks internacionais e visa contribuir com a construção de um modelo harmonizado para a faixa de 6 GHz. A introdução das redes móveis no upper 6 GHz dependerá do avanço dessa harmonização na Europa, enquanto o Wi‑Fi poderá ser autorizado ainda em 2026 no Reino Unido.
Já no Brasil, a introdução do modelo de AFC para Wi‑Fi ainda não foi formalizada pela Anatel, embora o tema tenha sido citado em discussões técnicas e audiências públicas. A comparação entre os modelos britânico e brasileiro mostra caminhos distintos: o primeiro foca em uso compartilhado com mecanismos de controle dinâmico, enquanto o segundo optou por uma divisão fixa da faixa.
A proposta da Ofcom está disponível aqui.
