Terça-feira, 10 de Março de 2026

6 GHz no móvel pode gerar sete vezes mais benefícios, diz GSMA

O uso licenciado por redes móveis na parte alta da faixa de 6 GHz (6,425–7,125 GHz) pode gerar até sete vezes mais benefícios econômicos para a América Latina em comparação com o uso não licenciado para Wi-Fi. A conclusão é de um estudo realizado pela GSMA Intelligence, que foi divulgado em Brasília nesta quarta-feira, 3, durante o Painel Telebrasil 2025.

O estudo da entidade global das operadoras analisou o tráfego em 11 cidades da América Latina (incluindo Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo). Nas localidades avaliadas, a pesquisa indicou que a utilização atual do Wi-Fi 6E na faixa inferior de 6 GHz é praticamente nula.

Distribuição de análise do Wi-Fi 6 / 6E por faixa de frequência

Ainda segundo a entidade, a demanda futura de Wi-Fi pode ser atendida com mais eficiência nas faixas já disponíveis, incluindo 2,4 GHz, 5 GHz e a parte baixa do 6 GHz.

Wi-Fi 6
No País, Brasília aparece como sendo a cidade que mais utiliza Wi-Fi 6 (7% dos acessos). Apesar disso, 80% dessas conexões utilizam a faixa de frequência de 5 GHz, 19% a de 2,4 GHz e menos de 1% utiliza o 6 GHz. Na América Latina, Santiago (Chile) é a localidade onde o Wi-Fi 6 é mais popular. Mas, assim como no Brasil, é a faixa de 5 GHz que domina por lá.

Análise do Wi-Fi por tecnologia

Políticas públicas
Diretor de espectro da GSMA, Luiz Felippe Zoghbi destacou que o aumento da demanda de dados é um dos pontos centrais para o debate sobre políticas públicas. Em 2024, os usuários da América Latina gastaram, em média, 9 GB de dados móveis por mês. Para 2030, o estudo projeta que esse número salte para 31 GB. “É um aumento de 3,5 vezes”, disse o executivo.

Na avaliação dele, sem novos recursos de espectro, a capacidade atual não será suficiente. “Isso significa que a quantidade de espectro da forma que está hoje, não vai se sustentar ao longo da próxima década”, afirmou Zoghbi.

dados

Planejamento
Ao TELETIME, o executivo disse que o Brasil também precisa oferecer às operadoras condições adequadas (incluindo preços acessíveis de espectro) para as próximas licitações.

“Hoje, os custos globais com espectro já representam 7% das receitas das operadoras, um aumento de 63% na última década, ao mesmo tempo em que a receita média por MHz caiu 60%”, afirmou Zoghbi.

“Para que o Brasil e a América Latina consigam transformar o potencial econômico da liberação da parte alta da faixa de 6 GHz em benefícios concretos para a sociedade, é essencial adotar políticas públicas que privilegiem o equilíbrio entre arrecadação e sustentabilidade do setor, como feito no edital 5G”, disse o executivo.

Para ele, as redes móveis já estão densificadas. Apesar disso, a faixa de 6 GHz poderia ampliar a capacidade em locais com macrocélulas existentes. Zoghbi também argumentou que a disponibilidade oportuna de 6 GHz, “em condições e preços razoáveis”, vai “impulsionar a implantação econômica das redes, ajudar a reduzir a brecha no uso da banda larga e promover a inclusão digital”.

O relatório da entidade também ressalta que as redes móveis já enfrentam pressões crescentes, sobretudo em ambientes internos, que respondem por mais da metade do uso. De acordo com a GSMA, 84% da conectividade indoor depende de faixas médias, principalmente a de 3,5 GHz.

Segundo a entidade, destinar toda a parte alta do 6 GHz ao serviço móvel é fundamental para garantir a evolução do 5G e preparar o terreno para o 6G, que exigirá blocos de 200 a 400 MHz por canal.

 

 

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