Domingo, 5 de Abril de 2026

5G ainda tem muito espaço para crescer na América Latina, diz Huawei

Daniel Zhou, presidente da Huawei para a América Latina e Caribe, está otimista para o desenvolvimento do 5G na região, prevendo que os próximos três a cinco anos serão essenciais para a expansão da tecnologia.

Em contraste com a China, onde a implantação do 5G já atingiu 95% da população, a América Latina ainda está em estágios iniciais, com uma taxa de correspondência entre estações base 4G e 5G de apenas 20-25% e uma penetração de dispositivos 5G abaixo de 30%.

Zhou estima que a região verá a adição de cerca de 100 mil novas estações base 5G anualmente, com a expectativa de que a proporção entre 4G e 5G ultrapasse 50% até o final de 2028 e a penetração de dispositivos 5G atinja mais de 50% por volta de 2027.

A Huawei está com um tom menos enfático na necessidade de migração para o 5G Advanced este ano, o que é positivo na relação com as operadoras, que preferem uma transição mais lenta. Segundo o executivo, a implantação do 5G deve sempre considerar o retorno sobre o investimento para as operadoras, defendendo uma abordagem passo a passo.

Daniel Zhou ponderou que os números da Huawei de 2025 foram os melhores desde a pandemia, mesmo com as restrições impostas pelo governo dos EUA. Os negócios da empresa e de outras companhias chinesas, diz ele, continuam a crescer de forma estável em toda a América Latina.

“A melhor empresa global é uma empresa local”, destacou Zhou, ressaltando que mais de 70% dos funcionários da Huawei na região são locais e que a empresa realiza mais de um bilhão de dólares em compras locais anualmente. Ele explica que a comunicação e o diálogo com gigantes da tecnologia e outras partes interessadas globais são mantidos através de organizações internacionais como a GSMA, promotora do evento em Barcelona.

IA
Um dos focos da empresa no MWC 2026, assim como o de todos os principais vendors, são soluções baseadas em nuvem e IA. Na América Latina, a Huawei diz ter mais de 20 clientes em cloud e já está adaptando modelos de IA para idiomas locais em colaboração com universidades.

Em relação ao 6G, a expectativa é que a primeira versão do padrão 3GPP seja lançada por volta de 2029, com o lançamento comercial das redes previsto para 2030. Um fator crítico será o espectro, com a indústria antecipando o uso de frequências acima de 6 GHz.

Daniel Zhou sugeriu que a América Latina pode aprender com o modelo chinês de planejamento de longo prazo para infraestrutura de TIC, construindo as redes prontas para IA antes da demanda. No entanto, ele reconheceu a diferença fundamental entre as operadoras estatais da China e as privadas da América Latina.

Para a região, é crucial que os governos desenvolvam planos estratégicos que não apenas impulsionem a infraestrutura digital, mas também garantam a lucratividade das operadoras, evitando a concorrência excessiva que pode inibir o investimento. O papel do governo em reduzir custos e criar um ambiente favorável é essencial para um ecossistema digital próspero, diz Zhou.

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