43% da população global ainda não acessa Internet móvel, aponta GSMA
Cerca de 3,45 bilhões de pessoas (o equivalente a 43% da população global) ainda não utilizam a Internet móvel, de acordo com um relatório sobre o segmento publicado nesta quarta-feira, 23, pela GSMA, a associação global das operadoras móveis.
A inclusão desses cidadãos no ambiente digital tem potencial para gerar US$ 3,5 trilhões em valor para a economia global entre 2023 e 2030, com maior impacto sobre as nações mais pobres (veja mais abaixo). Hoje, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que existam 8,2 bilhões de pessoas em todo o mundo.
Embora a proporção de usuários que usam a Internet móvel continue em crescimento, o ritmo dessa expansão vem diminuindo. Em 2023, 160 milhões de pessoas passaram a usar a tecnologia – patamar semelhante ao ano anterior. Entretanto, esse nível é mais baixo do que o período entre 2015 e 2021, quando foram adicionados 200 milhões de usuários por ano.
Alguns dos problemas estão presentes no atual cenário. Entre eles, a chamada lacuna de cobertura, com 350 milhões de pessoas (4% da população global) que residem em áreas remotas, sem a possibilidade de acesso atualmente.
No entanto, o fator apontado como o maior problema no setor é a lacuna de uso. Neste sentido, 3,1 bilhões de pessoas (ou 39% da população mundial) até residem em regiões com cobertura por Internet móvel, mas simplesmente não utilizam a tecnologia.
A GSMA afirma que a lacuna de uso é nove vezes maior do que a de cobertura. “Embora a maioria dos usuários acessem a Internet móvel diariamente, suas atividades são frequentemente limitadas a apenas uma ou duas, mesmo que muitos expressem o desejo de fazer mais”, afirma o diretor regulatório da GSMA, John Giusti, em comunicado.
“Isso destaca barreiras persistentes – acessibilidade, falta de habilidades e alfabetização, preocupações com segurança e privacidade e falta de conteúdo e serviços relevantes – que impedem os usuários de se conectarem e depois usarem a Internet móvel para atender às suas necessidades de vida, uma vez que estejam conectados”, diz o executivo.
Oportunidade de US$ 3,5 trilhões
Para a associação, inserir os usuários excluídos no ambiente móvel online poderia gerar um valor de US$ 3,5 trilhões para a economia global até o final da atual década. Desse montante, 90% deve beneficiar os países de renda média e baixa.
Mas a estimativa é que sejam necessários US$ 418 bilhões em investimentos para construir a infraestrutura necessária para alcançar o acesso universal à Internet móvel. Hoje, a lacuna de cobertura é mais latente em áreas rurais, pobres e pouco povoadas, em países menos desenvolvidos, sem litoral ou pequenos estados em desenvolvimento.
Nessas nações, os dispositivos de entrada habilitados para Internet custam 18% da renda mensal média, subindo para 51% nos 20% países mais pobres do mundo. Na África Subsaariana, que responde por 25% da população global desconectada, esse valor sobe para 99% da renda mensal média dos mais pobres da região, por exemplo.
Além disso, a falta de habilidades digitais e de alfabetização é o segundo maior obstáculo geral, enquanto desponta como o principal problema nos países asiáticos pesquisados no relatório.
Dispositivos antigos
Mesmo que a grande maioria dos usuários globais acessem a Internet em smartphones 4G ou 5G, um em cada cinco assinantes (20%) o fazem em dispositivos com tecnologia 3G ou em celulares simples.
Na América Latina e Caribe e no Norte da África e Oriente Médio, isso supera a casa dos 30%, chegando a quase 60% na África Subsaariana – algo que limita a variedade e a experiência digital dos usuários, diz a associação.
Do lado dos que já usam a Internet móvel, os principais percalços relatados para o aumento da utilização são preocupações com segurança e privacidade, acessibilidade (particularmente dos dados, mas também dos aparelhos) e a experiência de conectividade.
