Sábado, 15 de Agosto de 2026

ZTE escolhe o Brasil como prioridade em banda larga fixa

Esta semana a ZTE realizou em São Paulo o seu encontro global ZTE Broadband Users Congress, com o tema “Monetize Your Intelligent Broadband”. Trata-se de um evento itinerante que a cada ano acontece em um mercado chave para a empresa, e a escolha do Brasil não foi por acaso. Apesar da posição de liderança no mercado brasileiro de banda larga fixa, com aproximadamente 30% do mercado, segundo dados da empresa, o Brasil é hoje uma das principais apostas de crescimento para a ZTE no segmento fixo. Segundo Fang Hui, Senior Vice President da ZTE, depois de atingir a marca de 100 milhões de usuários de suas tecnologias no Brasil, a empresa aposta agora em uma nova geração de produtos e soluções, com prioridade no aumento de receitas.

Segundo Hans Neff, CTO global da ZTE, com 76% de penetração da fibra ótica, o Brasil é um mercado bastante maduro em termos de penetração e o crescimento não deve mais se dar de maneira significativa na conquista de novos clientes, mas na transição para serviços de maior valor agregado, tanto para usuários residenciais quanto no segmento corporativo.

A mesma percepção foi passada por alguns dos principais clientes da ZTE, que participaram do encontro, com apresentação pública de suas experiências. Três das quatro maiores operadoras de banda larga e também alguns dos principais ISPs de médio porte trouxeram o relato de cases e soluções, sempre enfatizando a necessidade de agregação de valor. O evento reuniu mais de 300 pessoas, sobretudo ISPs.

As apresentações giraram em torno de alguns temas centrais: melhoria de redes com a transição de redes legadas (como HFC e xDSL) para redes de fibra; adoção de WiFi 7; e ferramentas de observabilidade e monitoramento de desempenho das redes.

Segundo Lu Maoliang, presidente da ZTE Brazil, após 25 anos na América Latina a ZTE atendeu a mais de 100 operadores e mais de 60 mil km de fibras para atender 30 milhões de lares. São ainda milhares de ISPs atendidos por meio da parceria com a Multi.

“O mercado brasileiro é um pilar central da estratégia global da ZTE e um mercado fundamental na América Latina. Sendo o maior país da América Latina em termos de população, território e tamanho do mercado de telecomunicações, o Brasil possui dezenas de milhares de ISPs, formando uma estrutura de mercado liderada por operadoras de primeira linha e amplamente apoiada por ISPs de pequeno e médio porte, o que proporciona amplas oportunidades de implementação para as soluções tecnológicas da empresa.”, disse ele em entrevista concedida a este noticiário antes do evento.

Ampliação de receitas
Para alcançarem o crescimento em receita, a fórmula que a ZTE apresenta para os operadores passa por três etapas: 1) Melhoria e otimização das redes, com a substituição de redes legadas e otimização das redes ópticas para novas gerações de XGS-PON; 2) Melhoria nas redes domésticas com WiFi inteligente e redes mesh, capazes de gerenciar a qualidade do usuário; 3) Preparar as redes e serviços para as demandas da Inteligência Artificial.

“O mercado brasileiro não é apenas um importante motor de crescimento para os negócios internacionais da ZTE, mas também uma plataforma chave para a empresa demonstrar tecnologias de ponta, construir sinergias e buscar o desenvolvimento sustentável”, diz Lu Maoliang. Ele credita os resultados da ZTE no país também a um forte ecossistema de parcerias desenvolvido pela ZTE e a aposta no modelo de “pay-as-you-grow”, em que os operadores podem minimizar os investimentos iniciais (CAPEX) e amortizar os custos iniciais com a entrada dos novos clientes.

Segundo destacou Hans Neff em sua apresentação durante o evento, um dos aspectos importantes para os operadores na jornada de ampliação de receitas é justamente conseguir estabelecer tecnologias de visualização e operação de rede otimizadas com IA, assim como tecnologias que assegurem a possibilidade de ofertas de qualidades de serviço e qualidades de experiência (QoS e QoE) diferenciadas. “São esses atributos que trazem valor à oferta de banda larga”, disse. Um dos clientes da ZTE que falou durante o evento disse que “a oferta de SLAs diferenciados, slicing e automação é o que vai nos levar à uma melhor monetização das redes”.

Bits vs. Tokens
No ambiente doméstico, a evolução das redes WiFi é essencial, pois é a partir da experiência. Outro operador, que hoje está em parceria com a ZTE para um processo massivo de migração de redes legadas para XGS-PON conta que a parte mais importante da experiência do usuário está na conexão de WiFi doméstica, e que tecnologias como WiFi 7 são essenciais não só para assegurar a entrega de uma performance compatível com o potencial das redes de fibra, mas para assegurar que os serviços residenciais que demandam mais capacidade, como streaming, games, automação e, agora, IA, não sejam comprometidos na etapa final da rede.

Na mensagem de encerramento do evento, Peter Hu, VP da ZTE Corporation, destacou como a Inteligência Artificial deve mudar a forma das operadoras monetizarem a conectividade. Não apenas com a otimização de processos e redução de custo, mas com um novo conceito de como o tráfego pode ser comercializado.

Para ele, se na primeira onda dos serviços de banda larga a velocidade foram o grande atrativo, e na segunda (atual) a velocidade precisa ser entregue com experiência de usuário adequada; a próxima onda deve considerar que a economia de IA será baseada em tokens, destacando que as operadoras podem rentabilizar esse tráfego se estiverem posicionadas como atores relevantes dentro da cadeia de IA. “Os ISPs vão viver uma mudança importante, passando de operações baseadas em tráfego de bits para uma operação baseada em tokens”, disse.

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