Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025

Vivo vai repassar alta de preços caso serviços sejam atingidos por tarifas

Apesar de ainda não ter plena dimensão dos efeitos do tarifaço dos Estados Unidos sobre os seus negócios – e de uma possível retaliação do governo brasileiro –, a Vivo vai repassar a eventual alta de preços ao consumidor final caso seus produtos e serviços sejam impactados, afirmou o CEO da operadora, Christian Gebara.

As tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos estão previstas para entrar em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto. O governo federal ainda tenta negociar com Donald Trump, mas também cogita retaliar com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 29, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre no dia anterior, Gebara destacou que a operadora revende aparelhos, acessórios, softwares e assinaturas de serviços digitais de empresas norte-americanas.

No caso de smartphones de marcas norte-americanas, o executivo lembrou que “todos são montados no Brasil”, o que pode ajudar a driblar um eventual impacto direto na precificação.

“Agora, se tiver um incremento que seja repassado, também entendemos que teremos que repassar isso para o consumidor final. Não conseguimos, neste momento, definir se teremos ou não, mas, se tiver, teremos que repassar”, asseverou o executivo.

Gebara também disse que a operadora não foi abordada por nenhuma fornecedora de serviços de nuvem (Amazon, Google, Microsoft) ou plataformas OTTs (Netflix, HBO Max) sobre incremento de preços até o momento. Inclusive, em geral, a Vivo negocia diretamente com representantes locais e firma contratos em reais, evitando, dessa forma, acordos típicos de importação.

“Não temos uma visibilidade ainda se vai ter aplicação de taxa. Estamos esperando a data para saber se isso vai ter impacto nos nossos relacionamentos com as empresas e se vamos, no futuro, assinar outros contratos”, disse o executivo. “Mas, de novo, se tiver incremento de preço, vamos ter que repassar para os clientes finais”, acrescentou.

Impacto reduzido
No que diz respeito à infraestrutura de rede, o CEO ressaltou que o tarifaço não deve alcançar os planos de expansão da operadora. A maior parte dos equipamentos vem da Ásia e da Europa, fornecidos pela chinesa Huawei, a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia.

As receitas e os custos de operação, da mesma forma, não devem sentir os efeitos da política comercial norte-americana, uma vez que ocorrem quase totalmente no território brasileiro. Contudo, Gebara indicou que, indiretamente, o dólar pode se valorizar ante o real em função dos efeitos das tarifas. No caso, cerca de 25% do capex da Vivo tem exposição cambial.

“Se tiver um impacto em câmbio, temos contratos de bandas cambiais que podem minimizar a eventual alta do dólar”, indicou o executivo.

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