Vivo vai repassar alta de preços caso serviços sejam atingidos por tarifas
Apesar de ainda não ter plena dimensão dos efeitos do tarifaço dos Estados Unidos sobre os seus negócios – e de uma possível retaliação do governo brasileiro –, a Vivo vai repassar a eventual alta de preços ao consumidor final caso seus produtos e serviços sejam impactados, afirmou o CEO da operadora, Christian Gebara.
As tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos estão previstas para entrar em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto. O governo federal ainda tenta negociar com Donald Trump, mas também cogita retaliar com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 29, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre no dia anterior, Gebara destacou que a operadora revende aparelhos, acessórios, softwares e assinaturas de serviços digitais de empresas norte-americanas.
No caso de smartphones de marcas norte-americanas, o executivo lembrou que “todos são montados no Brasil”, o que pode ajudar a driblar um eventual impacto direto na precificação.
“Agora, se tiver um incremento que seja repassado, também entendemos que teremos que repassar isso para o consumidor final. Não conseguimos, neste momento, definir se teremos ou não, mas, se tiver, teremos que repassar”, asseverou o executivo.
Gebara também disse que a operadora não foi abordada por nenhuma fornecedora de serviços de nuvem (Amazon, Google, Microsoft) ou plataformas OTTs (Netflix, HBO Max) sobre incremento de preços até o momento. Inclusive, em geral, a Vivo negocia diretamente com representantes locais e firma contratos em reais, evitando, dessa forma, acordos típicos de importação.
“Não temos uma visibilidade ainda se vai ter aplicação de taxa. Estamos esperando a data para saber se isso vai ter impacto nos nossos relacionamentos com as empresas e se vamos, no futuro, assinar outros contratos”, disse o executivo. “Mas, de novo, se tiver incremento de preço, vamos ter que repassar para os clientes finais”, acrescentou.
Impacto reduzido
No que diz respeito à infraestrutura de rede, o CEO ressaltou que o tarifaço não deve alcançar os planos de expansão da operadora. A maior parte dos equipamentos vem da Ásia e da Europa, fornecidos pela chinesa Huawei, a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia.
As receitas e os custos de operação, da mesma forma, não devem sentir os efeitos da política comercial norte-americana, uma vez que ocorrem quase totalmente no território brasileiro. Contudo, Gebara indicou que, indiretamente, o dólar pode se valorizar ante o real em função dos efeitos das tarifas. No caso, cerca de 25% do capex da Vivo tem exposição cambial.
“Se tiver um impacto em câmbio, temos contratos de bandas cambiais que podem minimizar a eventual alta do dólar”, indicou o executivo.
