Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2025

Vivo busca escala na banda larga com controle da FiBrasil

A Vivo planeja aumentar a penetração de clientes em sua rede de banda larga e reduzir custos operacionais ao assumir o controle da FiBrasil, destacou o CEO da operadora, Christian Gebara, nesta terça-feira, 29, em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados do segundo trimestre no dia anterior.

O executivo salientou que a compra de 50% das ações que o fundo canadense La Caisse (anteriormente CDPQ) detinha na empresa de rede neutra, em um negócio avaliado em R$ 850 milhões, mira sinergias de custo e escala. A Vivo, vale lembrar, já tinha 25,01% das ações, ficando com 75,01% caso o negócio seja aprovado. Os demais 24,99% permanecem com a Telefônica Infra, subsidiária da multinacional espanhola.

“Vimos a possibilidade e integrar essa empresa dentro da Vivo. E grande parte das sinergias está em custos, podendo operar em uma escala muito maior”, afirmou Gebara. “Fora isso, também existe a possibilidade e sinergias de receitas”, acrescentou.

Nesse sentido, o executivo apontou que a FiBrasil terminou 2024 com 16% da rede ocupada, sendo a Vivo o “principal e único cliente relevante”, responsável por cerca de 95% das conexões.

A própria tele encerrou o segundo trimestre deste ano com um take-up rate (taxa de ocupação) de 24% – a rede contempla 30,1 milhões de casas passadas (domicílios que podem contratar o serviço de fibra óptica) e 7,4 milhões de assinantes.

“Com base no final de 2024, a gente vê uma grande dependência da FiBrasil na ocupação da rede pela Vivo. Em outras palavras, a abertura para outros clientes não ocorreu da forma como se esperava”, afirmou Gebara.

“Há a possibilidade de exercer a nossa estratégia de uma maneira mais integrada e conseguir crescer ainda mais a penetração da rede. Neste momento, tem muito sentido fazer [a aquisição]”, complementou o CEO.

Gebara também disse que, como o negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), “ainda é cedo para adiantar” eventuais mudanças na direção da FiBrasil e até mesmo se a empresa continuará com esse nome.

De todo modo, o executivo afirmou que “não tem razão nenhuma para desconectar” os provedores que usam a infraestrutura da empresa de rede neutra, embora o volume de contratos seja baixo.

Brasil segue como prioridade
Na coletiva, questionada a respeito dos desinvestimentos feitos pelo Grupo Telefónica na América Latina, o CEO disse que o movimento faz parte de uma estratégia definida pela multinacional ainda em 2019, mas acelerada nos últimos 12 meses.

Ainda assim, Gebara frisou que o Brasil segue prioritário para o controlador, até porque a Vivo tem sido “o grande contribuidor do grupo em termos de crescimento”.

O executivo preferiu não comentar sobre notícias veiculadas na imprensa espanhola sobre a possibilidade de o Grupo Telefónica vender parte das ações da Vivo. “Não posso comentar a estratégia, mas isso não tem a ver com os desinvestimentos feitos na região”, disse.

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