Uso de D2D cai após cobrança e expõe desafio de monetização
A conectividade direta entre satélites e smartphones (D2D) entrou em fase comercial e registra crescimento em alguns mercados. A solução, no entanto, passa agora por um teste importante: a disposição dos usuários em pagar pelo serviço.
De acordo com estudo divulgado pela empresa de medição Ookla, houve queda no uso nos Estados Unidos e no Canadá após operadoras como T-Mobile e Rogers passarem a cobrar cerca de US$ 10 mensais pelo acesso, encerrando períodos iniciais gratuitos.
Em março de 2026, apenas 0,46% dos usuários do Speedtest nos EUA registraram conexão com satélites D2D. No Canadá, o índice foi de 0,70%, enquanto o Chile (um dos mercados mais recentes) liderou com 1,26%.
O recuo em mercados pioneiros acende um alerta sobre o apetite do consumidor para pagar por uma conectividade que, por enquanto, é complementar e limitada em capacidade.
A tecnologia é destinada, por enquanto, ao envio de mensagens de texto em cenários de emergência, apesar da inclusão recente de aplicativos como WhatsApp e X (ex-Twitter) em algumas ofertas.
Outro fator que limita a escalabilidade do D2D é que o uso da ferramenta é voltado principalmente para o uso em ambientes externos, já que o celular precisa ter visão clara do céu sem obstáculos para se conectar aos satélites. No entanto, a maior parte do tráfego com smartphones ocorre em ambientes internos, aponta a Ookla.
“Esses resultados não são necessariamente uma surpresa”, comentou a empresa ao lembrar de um relatório da GSMA Intelligence, que apontou que as redes terrestres já cobrem 96% da população global e que, na prática, a maioria dos usuários de dispositivos móveis não precisará ativamente de conexões D2D com frequência.
Números
Apesar das dificuldades de monetização, o mercado global de D2D segue em expansão. A Ookla apontou que o número de conexões cresceu 24,5% entre julho de 2025 e março de 2026.
O impulso veio da entrada de serviços em locais como Chile, Ucrânia, Peru e Reino Unido, com protagonismo da constelação da operadora Starlink.
“Os EUA lideram o mundo em conexões D2D, representando 45,9% de todas as conexões D2D globais em março de 2026”, diz a Ookla.
“Outros países que apresentaram números expressivos de conexões D2D em março de 2026 incluem a Austrália (18,1% das amostras D2D globais), o Chile (10%) e o Canadá (9,8%) – todos países com extensas áreas rurais”.
Na América Latina, a América Móvil, dona da Claro, confirmou nesta quarta-feira, 22, ter retomado conversas com a Starlink visando parceiras para o serviço.
Competidoras
“A Starlink foi responsável pela grande maioria dessas amostras D2D, embora a Skylo e a Lynk Global também tenham gerado algumas amostras globalmente”, segue o relatório.
Entre outras competidoras, a AST SpaceMobile, por exemplo, prometeu entrar no setor comercialmente com o lançamento de 45 até o final de 2026.
Já Lynk Global concordou no ano passado em se fundir com a Omnispace, do mesmo segmento, para acelerar a oferta de serviços.
