Univity testa 5G via satélite nas ondas milimétricas de 26 GHz
A empresa francesa de telecomunicações via satélite Univity realizou uma conexão bidirecional de 5G não terrestre (NTN) entre um terminal em solo e uma estação rádio base instalada em um satélite. O feito foi alcançado utilizando ondas milimétricas (mmWave) na faixa de 26 GHz.
Segundo a empresa, é a primeira demonstração em órbita a combinar processamento regenerativo de 5G a bordo, conexão em mmWave e operação TDD (Time Division Duplexing).
A demonstração foi realizada com o uniSpark, missão tecnológica da companhia lançada em junho de 2025, logo após a empresa levantar 27 milhões de euros. Nos testes, um terminal terrestre foi sincronizado e registrado como um dispositivo 5G na rede do satélite, conectada a um núcleo 5G padrão.
Um dos objetivos do experimento é demonstrar que tecnologias utilizadas pelas operadoras em redes 5G terrestres também podem funcionar a partir do espaço. “Com o uniSpark, estamos passando da promessa tecnológica para a prova em órbita”, afirmou o fundador e CEO da Univity, Charles Delfieux.
Para a Univity, o teste também abre caminho para que a faixa de 26 GHz seja utilizada em comunicações por satélite, o que ampliaria o espectro disponível para redes não terrestres.
“Esta demonstração confirma a possibilidade de construir uma infraestrutura de satélite que se apoie amplamente em tecnologias e desenvolvimentos derivados do 5G terrestre, em vez de recriar um ecossistema completamente separado”, afirmou Laurent Bouscary, CTO da companhia.
O uniSpark é a primeira etapa do plano da companhia para desenvolver uma infraestrutura 5G via satélite voltada a operadoras de telecomunicações. A próxima fase, chamada uniShape, prevê dois satélites de demonstração para testar desempenho, arquitetura e um serviço 5G NTN de ponta a ponta.
Posteriormente, a empresa planeja o uniSky, etapa de industrialização e implantação de uma futura constelação comercial.
No Brasil, a faixa de 26 GHz foi ofertada no leilão do 5G de 2021 e teve lotes adquiridos por Vivo, Claro, TIM e Algar. Apesar da grande quantidade de espectro disponível e da capacidade de oferecer velocidades elevadas, as ondas milimétricas ainda não são utilizadas comercialmente pelas operadoras brasileiras. A oferta limitada de aparelhos e equipamentos compatíveis são alguns dos obstáculos para a adoção da tecnologia.
