União Europeia aponta quatro frentes para cooperação espacial com Brasil
A União Europeia (UE) apontou quais são as frentes estratégicas para aprofundar a cooperação espacial com o Brasil e a América Latina: dados e ciência; capacitação; indústria; e inovação e governança.
As prioridades foram apresentadas pela ministra-conselheira da UE no Brasil, Beatrice Covassi, durante o Congresso Latino-Americano de Satélites, realizado pela Glasberg Comunocações e TELETIME no Rio de Janeiro. “Estes são os quatro caminhos para avançarmos juntos”, afirmou.
Entre os passos defendidos por Covassi está ampliar o compartilhamento e o uso de informações espaciais e aproximar o setor privado das duas regiões. A representante citou como objetivos “ampliar o uso conjunto a dados europeus e latino-americanos” e “aproximar empresas e startups dos dois lados do Atlântico”.
Parte dessa agenda também integra a Aliança Digital UE-América Latina e Caribe, lançada em 2023; ela inclui observação da Terra e cooperação espacial, além de apoio a centros regionais do Copernicus no Panamá e no Chile. Ao falar sobre a aplicação dessas ferramentas na região, Covassi destacou usos ambientais e produtivos.
“Podemos ajudar no monitoramento do desmatamento, das queimadas, na gestão de recursos hídricos, na agricultura e na resposta a desastres”, afirmou.
Covassi defendeu ainda ampliar a formação de especialistas e a coordenação em governança espacial. “Temos que trabalhar juntos por um espaço seguro, sustentável, aberto, com regras claras para o tráfego espacial e a redução dos detritos”, disse.
UE e Brasil
A cooperação espacial entre Brasil e o bloco europeu começou ainda em 2018. Na época, Comissão Europeia e o então Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) assinaram um arranjo sobre o programa de observação da Terra Copernicus, tendo o INPE como executor brasileiro.
O instrumento prevê acesso aberto do Brasil aos dados dos satélites Sentinel e, de forma recíproca, acesso europeu a dados brasileiros de observação da Terra e de redes de monitoramento.
IRIS²
Covassi também destacou o IRIS², futura constelação europeia de comunicações seguras, como uma das principais iniciativas espaciais da União Europeia.
Segundo ela, o programa avança para uma fase de implementação em larga escala e deverá reunir 348 satélites, após a incorporação de 66 novas unidades em órbita baixa ao projeto. “Este sistema interessa não só a Europa, mas a todos nós”, disse a ministra.
A expectativa é de que o sistema comece a ganhar escala a partir de 2029, com aplicações para governos, empresas e conectividade em regiões rurais e remotas. A ministra-conselheira afirmou que a iniciativa parte da avaliação de que “a conectividade tornou-se questão de soberania e resiliência”.
