Transístor orgânico adapta-se para monitorar sua saúde

[Imagem: Hyunseok Shim/Pusan National University]
Transístor adaptativo
De simples sensores para medir batimentos cardíacos ou número de passos, os dispositivos eletrônicos vestíveis estão evoluindo rapidamente para aparelhos com diversas funcionalidades, capazes de monitorar a saúde de modo mais completo e até auxiliar no atendimento médico em tempo real.
Mas, por menor que seja, ninguém quer um computador pendurado no braço ou atado ao peito, então o progresso rumo a melhores funcionalidades está exigindo redesenhar o hardware desde os componentes mais básicos, de modo a manter tudo miniaturizado e gastando um mínimo de bateria.
Uma novidade marcante nesse esforço acaba de ser apresentada por Heena Kim e colegas da Universidade Nacional Pusan, na Coreia do Sul: Um transístor que, em vez de realizar uma única função, como os transistores dos computadores, pode se adaptar para executar diferentes funções em tempo de voo.

[Imagem: Heena Kim et al. – 10.1021/acsnano.6c05309
Transístor reprogramável
Além de flexível, como é típico da eletrônica orgânica, o transístor pode ser facilmente reprogramado para diferentes finalidades.
Por exemplo, simplesmente alterando-se a concentração de sal em seu meio circundante, o transístor pode alternar entre o modo tradicional de circuito lógico para computações digitais e um modo de sinapse artificial analógica, pronta para ser usada em aplicações bioeletrônicas neuromórficas, robôs flexíveis e dispositivos protéticos adaptáveis, que aprendem e respondem ao ambiente ao seu redor.
Outra característica marcante é que o estado interno do transístor é visível: À medida que ele alterna entre os dois modos de operação, o componente também muda de cor, de azul claro para azul escuro, permitindo que o usuário leia sua condição operacional apenas olhando para ele.
“A longo prazo, este trabalho poderá levar a terapias personalizadas e autônomas, como bandagens de compressão dinâmica e peles eletrônicas que respondem a lesões em tempo real, tudo monitorado num relance por meio de uma mudança de cor visível,” disse o professor Hyunseok Shim.

[Imagem: Heena Kim et al. – 10.1021/acsnano.6c05309]
Sinapse artificial
Em vez de criar um material totalmente novo, os pesquisadores modificaram o polímero condutor PEDOT:PSS com dois aditivos. A principal inovação está no fato de que a alteração da concentração de cloreto de sódio no eletrólito aditivado modifica o modo como os íons se movem através do material, possibilitando a alternância entre modos operacionais.
Altas concentrações de sal fazem o transístor comutar mais rapidamente, o que é ótimo para operações de lógica digital. E concentrações de sal mais baixas geram um comportamento semelhante ao de uma memória analógica, similar ao perfil de tensão elétrica das sinapses entre os neurônios biológicos.
Como prova de conceito, a equipe construiu um adesivo vestível que detecta edema inflamatório e temperatura da pele, apertando ou afrouxando automaticamente uma faixa de compressão, reduzindo o risco de danos aos tecidos. “A plataforma proposta é adequada para pele eletrônica inteligente, monitores de saúde vestíveis e implantes bioeletrônicos flexíveis, onde um único dispositivo extensível pode processar e armazenar sinais fisiológicos sem circuitos adicionais,” disse Shim.
