TIM revisa estratégia e aposta em convergência para diversificar receitas
A TIM decidiu revisar o seu posicionamento junto aos consumidores e adotar a estratégia de convergência de serviços, que vinha sendo menos explorada do que por concorrentes, ao observar movimentos de mercado mais focados nessa direção.
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 28, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre na véspera, o CEO da TIM, Alberto Griselli, explicou que o cenário em que apenas “as nossas principais concorrentes” tinham ofertas convergentes ficou para trás.
O executivo destacou que “há uma difusão do mercado aos planos convergentes” e citou, como exemplo, o lançamento do serviço de telefonia móvel pela Nio (antiga Oi Fibra), dona da terceira maior base de banda larga do País.
A mudança de estratégia da TIM fica evidente com os lançamentos recentes de um serviço próprio de streaming e de planos que combinam telefonia móvel e banda larga.
Inclusive, Griselli enfatizou que o crescimento na banda larga e a retomada do controle da operadora de rede neutra I-Systems foram fundamentais para a aposta em convergência.
“No decorrer do ano passado, começamos a otimizar o go to market e tornar a operação [de banda larga] mais resiliente. O serviço começou a converter e crescer em receita. Então, adquirimos a I-Systems e a posse nos dá flexibilidade comercial e técnica para ter um trade-off mais simples para combinar os produtos”, afirmou o executivo.
Griselli ainda acrescentou que o lançamento do TIM Play, plataforma de canais lineares ao vivo e streamings, “funciona tanto para o móvel quanto para a banda larga”. A ideia é que o serviço de conteúdo seja “uma oportunidade de incremento de receita para nós”.
M&A, IA e Open Gateway
O CEO da TIM ainda frisou que, na banda larga, o objetivo é aumentar a penetração na rede (take-up), e não necessariamente expandir o alcance da infraestrutura – atualmente, levando em conta a I-Systems e o serviço contratado da V.tal, a TIM pode chegar a 24 milhões de casas passadas com fibra óptica.
Além disso, em conferência com analistas pouco antes da coletiva de imprensa, Griselli comentou que a TIM segue analisando oportunidades de fusão e aquisição (M&A) no mercado de provedores, mas “não temos nenhuma pressa neste momento”.
Ainda no tema da convergência de serviços, a operadora tem estudado a inclusão de aplicações de Inteligência Artificial (IA) em suas ofertas (algo também nos planos da Vivo). Contudo, a ideia é não disponibilizar o serviço gratuitamente, mas trabalhar com modelos de monetização e, até mesmo, criar uma avenida de crescimento na vertical.
A diretoria da tele também sinalizou que, até o fim deste ano, planeja dobrar de sete para 14 o número de APIs do Open Gateway vinculadas à sua rede móvel.
B2B em aceleração
A TIM tem altas expectativas com os serviços corporativos (B2B). O segmento passou a representar 6,6% da receita de serviços da operadora no segundo trimestre.
O trunfo, a partir de agora, é usar a V8.Tech, empresa de soluções digitais cuja aquisição foi concluída em janeiro, para fazer upsell e cross sell ao lado das ofertas tradicionais da tele.
“No B2B, até aqui, não estamos vendo sinais de desaceleração na nossa atividade. Quando olhamos a V8, o pipeline é bem rico, pois acrescenta soluções digitais, inteligência artificial, nuvem, observabilidade. Temos oportunidades de crescer em verticais tradicionais de telecomunicações e ir além da conectividade”, pontuou Griselli.
