Sábado, 13 de Dezembro de 2025

Telefónica conta com cobre da Vivo para cumprir meta de economias

A Vivo terá papel fundamental nos planos de crescimento da Telefónica até o fim desta década. Entre outros objetivos, a matriz espanhola confirmou nesta terça-feira, 4, que conta com a venda da rede cobre da tele brasileira para cumprir a meta bilionária de eficiência operacional até o ano de 2030.

Como parte do seu plano estratégico 2026-2030, a controladora informou que planeja obter uma economia de 2,3 bilhões de euros em 2028, com o montante subindo para 3 bilhões de euros até 2030. Em coletiva de imprensa nesta terça, a diretoria da Telefónica ressaltou que o cobre da Vivo entra na conta.

“O Brasil está incluído e é um player importante”, disse o CEO da Telefónica, Marc Murtra. “A venda de cobre em andamento está incluída”, acrescentou. A Vivo, vale lembrar, espera levantar até R$ 3 bilhões com a venda do ativo. O ritmo das negociações deve acelerar a partir do ano que vem.

O executivo também destacou que a operação brasileira se beneficiará do uso de Inteligência Artificial (IA) no atendimento a clientes e na simplificação dos processos internos, o que deve contribuir para redução de custos.

O plano estratégico da Telefónica, batizado de “Transformar e Crescer”, não prevê processos de consolidação nos próximos anos; mas, no mesmo documento, a empresa indica estar aberta a eventuais negociações.

Questionado sobre possíveis aquisições no Brasil, Murtra se limitou a dizer que não poderia comentar sobre o assunto.

Saída da América Latina
Na coletiva, a diretoria da Telefónica salientou que planeja manter operações em apenas quatro mercados: Espanha, Brasil, Alemanha e Reino Unido. Com isso, confirmou que o processo de desinvestimento na América Latina ainda não chegou ao fim.

A empresa, recentemente, vendeu suas subsidiárias na Argentina, no Peru, no Uruguai, no Equador e na Colômbia (esta ainda em fase de conclusão). Desse modo, a Telefónica ainda conta com operações em atividade no México, no Chile e na Venezuela, mas a matriz não vê seu futuro com elas.

“Vamos sair desses países”, frisou Murtra. “Sem previsão, porque isso pode afetar as negociações, mas vamos deixar a Hispam”, complementou, se referindo às nações da América Latina “hispânica”, o que excetua o Brasil.

B2B e consolidação na Europa
À imprensa, os executivos da Telefónica ressaltaram que crescer no mercado corporativo (B2B) é um dos objetivos do novo plano estratégico. Como parte disso, a companhia planeja fortalecer o portfólio da Telefónica Tech, subsidiária de serviços de TI. As pretensões incluem soluções de segurança cibernética, nuvem e Internet das Coisas (IoT).

A empresa também voltou a criticar a competição no mercado europeu, citando que o continente conta com 38 operadoras, enquanto mercados como Estados Unidos e China têm apenas três concorrentes – semelhante ao Brasil, onde Vivo, Claro e TIM concorrem no mercado nacional.

Mais uma vez, a diretoria evitou falar que busca processos de consolidação, inclusive na Europa, mas indicou três aspectos para possíveis fusões e aquisições (M&A): custo da incorporação, preço do ativo e remédios impostos pelo regulador.

Grau de investimento
Ainda como parte do plano estratégico, a companhia espera obter uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 1,5% a 2,5% para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado entre 2025 e 2028. No período seguinte, de 2028 a 2030, a expectativa é de que o indicador acelere para 2,5% a 3,5%.

Murtra assegurou que, independentemente dos investimentos que a companhia fizer ao longo do período de vigência do plano, os ratings da companhia não serão afetados negativamente.

“Não vamos perder o grau de investimento. Isso é uma parte importante da nossa estratégia. Vamos envolver opex e capex, mas de uma forma eficiente”, pontuou o executivo.

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