Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

Telecom inicia ano com competição centrada na retenção e monetização da base de clientes

O mercado brasileiro de telecomunicações apresenta crescimento moderado e competição cada vez mais centrada na retenção e monetição da base de clientes. Esta é a conclusão do relatório trimestral de Monitoramento da Competição, divulgado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), nesta segunda-feira, 27.

Na telefonia móvel, o Brasil alcançou 271,3 milhões de acessos, com expansão anual de 3%. O segmento móvel atingiu a Meta 9 de concorrência definida pela Anatel (Índice de Herfindahl-Hirschman abaixo de 0,3594). O relatório também destaca a heterogeneidade infranacional: enquanto capitais apresentam maior competição, a maioria dos municípios ainda registra níveis intermediários ou elevados de concentração, evidenciando desafios à competição local.

Na banda larga fixa, o mercado atingiu 54,6 milhões de acessos, com crescimento anual de 1,3%. O recorte municipal revela desigualdades relevantes, apesar da média do País ter atingido a Meta 8 para o mercado de banda larga fixa (Índice de Herfindahl-Hirschman abaixo de 0,1500). O Brasil ainda apresenta localidades com concentração de mercado, o que reforça a importância de abordagens regulatórias geograficamente orientadas. Nos mercados de conteúdo e voz, a transformação digital se aprofunda. A substituição progressiva dos serviços tradicionais por soluções digitais tem ampliado a pressão competitiva sobre modelos convencionais.

A principal contribuição analítica desta edição do relatório está na discussão a respeito da abordagem por grupos econômicos estratégicos, evidenciando que a concorrência no setor não é homogênea, mas organizada em agrupamentos de agentes com diferentes capacidades, ativos e estratégias. Adicionalmente, observa-se uma mudança estrutural do eixo competitivo: crescente relevância do B2B como principal fonte de retorno; maior integração com cloud, dados e serviços digitais; e uso de arranjos integrados de conectividade, plataformas digitais, serviços e dados, frequentemente estruturados como ecossistemas, como estratégia de retenção, diferenciação e captura de valor.

Essa nova configuração reforça que a disputa no setor de telecomunicações passa a ocorrer não apenas entre operadoras, mas entre diferentes modelos de negócio e ecossistemas tecnológicos, impondo novos desafios à regulação e ao monitoramento da concorrência no País. O Relatório de Monitoramento da Competição é publicado trimestralmente há dois anos. Todas as edições podem ser conferidas no Portal da Anatel.

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