Sábado, 17 de Janeiro de 2026

Telecirurgia robótica pode usar Internet comum, aponta Fortinet

As telecirurgias robóticas começam a se tornar uma realidade na saúde, mas em geral ainda dependem de links dedicados, que garantem latência controlada a um custo mensal que pode chegar até R$ 30 mil por hospital. Mas um experimento realizado no Brasil contrariou essa lógica ao conectar, via Internet banda larga comum, uma equipe médica em João Pessoa (PB) a um robô cirúrgico localizado em Curitiba (PR), separados por 3.200 Km.

De acordo com a Fortinet, empresa responsável pelo desenho e implementação da arquitetura de rede, essa foi a primeira telecirurgia robótica do mundo nessas condições. O objetivo foi demonstrar que intervenções complexas podem ocorrer sem links dedicados de alto custo, tradicionalmente usados em cirurgias remotas.

A cirurgia, realizada pelo Sistema Unimed em fase experimental, ocorreu em outubro e envolveu a operação em um suíno. A empresa afirmou que a conexão tradicional manteve segurança, estabilidade e uma latência compatível com as necessidades cirúrgicas. Na prática, isso permitiu transmissão de vídeo, voz e comandos sem atrasos perceptíveis, segundo a Fortinet.

A solução envolveu a configuração de dois firewalls FortiGate (500E em João Pessoa e um 40F em Curitiba) ambos executando o sistema operacional unificado FortiOS. A equipe criou um túnel IPSec criptografado para proteger o tráfego e, dentro dele, configurou uma rede VXLAN para que o console do cirurgião e o robô se comportassem como se estivessem no mesmo hospital.

“Conseguimos demonstrar que intervenções cirúrgicas complexas podem acontecer fora de grandes centros, sem depender de infraestrutura de telecomunicações de alto custo”, disse o gerente de engenharia da Fortinet Brasil, Guilherme Morais. Agora, a empresa está documentando o projeto como guia de boas práticas, para que outras instituições de saúde possam replicar o modelo.

Telecirurgias
Em setembro, o Brasil participou de outro feito inédito para a telecirurgia. Na época, a Ligga Telecom forneceu conectividade para uma operação remota que conectou um cirurgião no Kuwait a um paciente em Curitiba.

Esse procedimento foi realizado a mais de 13 mil quilômetros de distância. A latência registrada foi de 196 milissegundos, e o Guinness World Records confirmou a marca como a maior distância já alcançada em uma telecirurgia robótica.

Naquele caso, toda a transmissão ocorreu por links dedicados entre o hospital brasileiro e um data center em São Paulo, que permitiu a interconexão com a rede internacional até o Kuwait. Segundo a operadora, a infraestrutura garantiu “estabilidade e ultrabaixa latência para uma aplicação altamente sensível”.

Compartilhe: