Tecto defende “vender o Brasil” antes de acirrar competição local em data centers
A Tecto, subsidiária de data centers da V.tal, avalia que ainda há muito espaço para crescimento de data centers no Brasil e que o grande desafio do setor é convencer os clientes a trazerem as cargas de trabalho para o País.
Desse modo, o cenário se trata muito mais de competir com players internacionais do que com concorrentes locais.
“Não é sobre eu competindo com o player local. A gente tem que dar os braços aqui para vender o Brasil primeiro. Depois, discutimos quem fica com qual pedaço do mercado”, afirma Tito Costa, CRO da Tecto, em entrevista ao Teletime em Destaque, realizada durante o Abrint Global Congress (AGC) 2026.
Segundo Costa, atualmente, o mercado brasileiro de data centers tem capacidade de 700 megawatts (MW). Estudos apontam que, até 2030, a capacidade instalada no País pode chegar a 4 gigawatts (GW).
“Ninguém faz isso sozinho, não tem a menor condição uma única empresa ganhar esse projeto. Tem espaço para todo mundo”, ressaltou o executivo. “A pauta nossa, enquanto desenvolvedores de data centers, é defender o Brasil, porque grande parte desses workloads são agnósticos a latência. Eles não precisam estar no Brasil, podem estar em outro lugar”, complementou.
Inclusive, a Tecto, com quatro complexos no Brasil (três em Fortaleza e um no Rio de Janeiro), busca ser um dos protagonistas desse movimento. A empresa tem investido em projetos de 200 MW em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, e de 20 MW em Porto Alegre.
O executivo recorda que os planos da empresa até 2028 contemplam US$ 2 bilhões em investimentos. A ideia é implantar unidades em outras localidades ainda não anunciadas.
Redata
Na entrevista, Costa pondera o fato de o Redata, programa que prevê incentivos para data centers, ainda estar parado no Senado, o que fez com que empresas segurassem os investimentos no setor.
Em sua avaliação, com ou sem Redata, a tributação “não será um problema para qualquer data center que comece a construir agora, porque só vai ficar pronto daqui a três anos”. Ele ainda afirma que “o Brasil já tem mecanismos tributários através de outras fontes que permitem trazer equipamentos para o País de forma competitiva”.
Dessa forma, Costa reforça que o grande desafio é fazer os clientes acreditarem no Brasil. “A questão agora é convencer os clientes a trazer esses workloads massivos para cá”, frisou.
Confira a entrevista na íntegra.
