Domingo, 19 de Abril de 2026

Startup de Recife projeta faturamento de R$ 50 milhões com modelo AI-native

Em meio à concentração do mercado de tecnologia no eixo Rio-São Paulo, a Volund, startup pernambucana AI-native especializada em engenharia agêntica, aposta neste modelo para ganhar escala no desenvolvimento de software no Brasil. A empresa projeta faturar R$ 50 milhões já no primeiro ano e alcançar mil projetos até 2030, com foco no segmento B2B.

Nascida no Porto Digital, em Recife, a companhia estruturou sua atuação a partir da chamada engenharia agêntica, abordagem em que agentes de inteligência artificial assumem papel ativo na execução de tarefas, enquanto o suporte humano se concentra em supervisão, validação e relacionamento com clientes.

Embora tenha oficializado recentemente sua marca, a Volund já aplicava esse modelo desde a sua concepção, desenvolvendo projetos com base em inteligência artificial para acelerar entregas e reduzir a dependência de fluxos tradicionais de desenvolvimento de software.

Segundo Vinícius Guedes, CEO da Volund, a proposta da empresa é reposicionar o papel da IA dentro das organizações. “Estamos redesenhando fluxos em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a atuar como um agente ativo na estratégia de negócios. Isso muda não só a forma de desenvolver tecnologia, mas também a forma como as empresas operam”, afirma o Guedes.

A empresa faz parte do ecossistema do Extreme Group, que reúne organizações voltadas à inovação, e nasce com a proposta de atuar em diversos setores em que a tecnologia é fundamental, como saúde, serviços financeiros e gestão pública. “O uso de agentes de IA permite reduzir significativamente o tempo de desenvolvimento. Um estudo global da Freshworks aponta que a tecnologia pode economizar, em média, 3 horas e 47 minutos por semana de trabalho, o equivalente a 24 dias úteis ao longo de um ano”, reforça Vinícius.

Na prática, a Volund afirma conseguir entregar projetos até 15 vezes mais rápido do que no modelo convencional, em que o projeto levava meses, precisava de uma equipe robusta e mais recursos. Para Guedes, essa velocidade é o que viabiliza a atuação em larga escala. “Estamos falando de colocar no ar plataformas complexas em poucas semanas, algo que antes levaria meses ou até quase um ano. Essa eficiência permite que empresas avancem mais rápido em iniciativas estratégicas”, destaca.

A estratégia de crescimento também passa pela consolidação da marca ao longo deste ano, sustentada por um investimento próprio de R$ 10 milhões, voltado à estruturação da operação, desenvolvimento tecnológico e expansão comercial no país.

Inserida em um dos principais polos tecnológicos do Brasil, a empresa aposta no ambiente do Porto Digital como base para sua expansão. O distrito, que reúne mais de 350 empresas, oferece acesso a talentos, programas de inovação e conexões com o mercado, fatores considerados essenciais para sustentar o plano de crescimento.

Para o CEO, a localização fora do eixo tradicional é um diferencial competitivo. “A engenharia agêntica exige um ambiente que respira inovação. Estar no Porto Digital nos dá acesso a talento e colaboração em um nível que sustenta nossa ambição de escala”, afirma.

Guedes acrescenta que a empresa pretende usar essa base para ampliar sua atuação nacional e posicionar a tecnologia desenvolvida no Brasil em um cenário mais competitivo. “Estamos provando que é possível criar soluções de ponta fora do eixo Rio-São Paulo: uma tecnologia brasileira e pernambucana, escalável e competitiva no cenário global, que quebra paradigmas e pavimenta um futuro tecnológico audacioso”, finaliza.

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