Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026

SpaceX pode alcançar receita de US$ 1 trilhão em 2031, projeta BTG Pactual

Após a abertura de capital da SpaceX nos Estados Unidos, analistas do BTG Pactual iniciaram a cobertura de mercado da empresa aeroespacial com uma estimativa de que o negócio possa alcançar receita de US$ 1 trilhão em 2031. Seria um crescimento de 52 vezes em relação ao tamanho da empresa hoje, já que em 2025 a receita da empresa foi de US$ 18,6 bilhões.

A cifra, segundo o banco brasileiro, que participou do consórcio coordenador na estruturação e oferta das ações da SpaceX, será impulsionada por um mercado endereçável gigantesco de lançamentos ao espaço (segmento dominado pela empresa), pela construção de data centers de inteligência artificial (IA) em órbita e pela Starlink, operadora de satélites de conectividade da SpaceX.

Neste campo da conectividade, o relatório do BTG estima que a Starlink sairá de atuais 10,3 milhões de assinantes de banda larga para 135 milhões globalmente em 2031, com receita média por usuário (ARPU) de US$ 35 (menor que os US$ 66 estimados em 2026).

Já no mercado móvel, o banco estima 832 milhões de assinantes até 2031, com ARPU de US$ 16 por mês. A previsão para o segmento móvel representaria salto gigantesco, dado que hoje o sinal móvel da Starlink alcançaria apenas 0,1% da população. Destaque-se, contudo, que analistas do mercado de satélites ouvidos por TELETIME alertam para uma série de desafios para que a Starlink tenha capacidade para entregar serviços móveis de alta capacidade para uma quantidade elevada de assinantes, dadas as limitações de espectro e cobertura de satélites inerentes à tecnologia D2D.

“Nossa expectativa [é] de que a SpaceX assumirá cada vez mais o relacionamento direto com o cliente, em vez de atuar simplesmente como uma provedora atacadista de conectividade”, apostam os analistas. O BTG prevê 30% destes clientes móveis em mercados desenvolvidos e 70%, no “restante” do mundo.

Ao todo, o relatório estima que o negócio de conectividade da SpaceX será responsável por um quarto da receita total projetada para a empresa, ou US$ 243 bilhões em 2031. Isso seria dividido entre o mercado móvel (US$ 117 bi), o corporativo/governamental (US$ 73 bi) e o de banda larga via satélites (US$ 52 bi).

A título de comparação, atualmente a receita anual da Amazon (maior empresa do mundo em receitas) é de US$ 700 bilhões; da Alphabet (Google) e da Apple é da ordem de US$ 400 bilhões ao ano cada uma; a China Mobile (maior empresa de telecom do mundo) fatura anualmente US$ 140 bilhões; e a AT&T tem receita anual de US$ 125 bilhões anuais. Se as estimativas do BTG estiverem corretas, possivelmente a SpaceX se tornaria uma das maiores empresas do mundo em receita em 2031, portanto. Além disso, as estimativas da GSMA apontam para 5,5 bilhões de acessos em 2030, o que significa dizer que a Starlink teria 15% do mercado de telecomunicações, aproximadamente.

IA
A conectividade, contudo, não é considerada o principal vetor nas projeções do BTG Pactual para a trajetória da SpaceX rumo ao trilhão. “A segunda [oportunidade] é a IA, uma camada de monetização mais recente, mas potencialmente muito maior”.

Neste caso, o banco aposta que soluções de IA e infraestrutura possam representar US$ 691 bilhões em receitas para a empresa de Elon Musk em 2031, sem contar US$ 49 bilhões adicionais com publicidade em serviços como o X (antigo Twitter).

“Até 2031, a meta da empresa é atingir aproximadamente 78 gigawatts (GW) de capacidade computacional orbital, o que implica cerca de 87 GW de capacidade computacional total, dos quais 9 GW seriam terrestres e 78 GW seriam orbitais”, diz o BTG – para quem os ativos podem ser monetizados a aproximadamente US$ 11 por watt.

O banco reconhece que desafios de engenharia existem na execução da parte orbital, que ganharia tração a partir de 2029. Já na parte da terrestre, a empresa teria encerrado março com 1 GW de capacidade computacional para IA – que já estaria sendo “monetizada a preços extremamente elevados por meio de contratos com a Anthropic e o Google”.

Lançamentos
Já o componente final das estimativas é o mercado de lançamentos, onde a empresa possui posição dominante. O BTG estima que a divisão da SpaceX faça cerca de US$ 23 bilhões em receitas em 2031.

“A capacidade da empresa de colocar carga em órbita por uma fração do custo dos concorrentes lhe confere uma posição competitiva excepcionalmente forte”, nota o banco, ao destacar a tecnologia da SpaceX para recuperar e reutilizar o propulsor do primeiro estágio do foguete Falcon 9.

“Mesmo que um concorrente desenvolvesse hoje um propulsor de primeiro estágio rotineiramente recuperável, ainda estaria pelo menos uma década atrás da SpaceX em termos de experiência operacional acumulada”, diz o relatório.

O BTG também avalia que a intenção da SpaceX de “tornar a vida multiplanetária” pode soar como ficção científica ou slogan de marketing, mas que traz consequências concretas à dinâmica de redução do custo por quilograma enviado ao espaço – tendo como próximo passo a Starship (o veículo de nova geração da empresa).

“Com a entrada [da Starship] em operação, a SpaceX busca reduzir em aproximadamente 99% o custo para alcançar a órbita em comparação com o padrão histórico da indústria, levando o custo marginal para a faixa de poucas centenas de dólares por quilograma”.

“Isso a coloca em uma posição única para capturar valor de praticamente qualquer negócio que exija a implantação significativa de ativos além da Terra”, dizem os analistas do BTG – notando que a empresa colocou em órbita mais de 80% da massa lançada globalmente nos últimos anos, em um “quase monopólio tecnológico sobre o acesso ao espaço”.

Recomendação de compra
O BTG Pactual iniciou a cobertura da SpaceX (SPCX) com recomendação de compra. A soma das estimativas resultaram em um preço-alvo de US$ 225 por ação da gigante aeroespacial, o que implicaria em um potencial de valorização de 40% em relação aos níveis atuais.

O relatório sobre o potencial de mercado da empresa foi elaborado pelos analistas Osni Carfi, Lucas Marquiori, Victor Neder, Carlos Sequeira, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.

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