Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

SpaceX faz parceria para reduzir impacto da Starlink em atividade científica

A SpaceX e o Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO), dos Estados Unidos, desenvolveram um sistema para reduzir a interferência de satélites da gigante aeroespacial em observações astronômicas.

Chamada de Operational Data Sharing (ODS), a solução foi criada para permitir a coexistência entre radiotelescópios e constelações em órbita baixa — como a da Starlink, que opera mais de 8 mil satélites atualmente e que pertence à SpaceX.

Segundo o observatório, a ODS funcionará por meio de um banco de dados que compartilha informações operacionais “quase em tempo real” entre telescópios e satélites. Com esses dados, os equipamentos em órbita podem ajustar suas transmissões e minimizar o risco de ruídos que atrapalhem observações científicas.

Uma das inovações do sistema é a técnica Telescope Boresight Avoidance (TBA), que possibilita que satélites equipados com antenas de matriz faseada redirecionem seus sinais quando estão próximos a telescópios.

Em outras palavras, essa tecnologia permite que os satélites ajustem ou desliguem temporariamente transmissões quando estiverem na linha de visão dos telescópios. Isso serve para proteger a coleta de sinais fracos do espaço, evitando que alguma pesquisa científica seja comprometida.

Testes
Os testes iniciais foram realizados com a constelação Starlink no Very Large Array (VLA), no estado do Novo México (nos EUA). Segundo o NRAO, os resultados mostraram “redução significativa na interferência” em frequências mais críticas.

Com o sucesso nos experimentos, o sistema já foi integrado às operações da SpaceX e começa a ser adotado também em observatórios na Austrália e na Califórnia.

“A comunicação aberta e frequente entre os cientistas da SpaceX e do NRAO foi fundamental”, afirmou o diretor assistente de gestão de espectro do observatório, Chris De Pree. “Nenhuma abordagem pode resolver todos os problemas, mas o ODS é um passo importante para resolver esse desafio crescente”, completou.

Já o pesquisador Bang Nhan destacou o potencial da iniciativa: “O sistema ODS demonstra que a cooperação entre indústrias pode gerar resultados vantajosos para todos. Estamos entusiasmados com o potencial desta estrutura se tornar um padrão global para a coexistência do espectro”, disse ele.

O próximo passo agora deve ser expandir a tecnologia para outras instalações, incluindo o Telescópio Green Bank e o Very Long Baseline Array, também administrados pelo NRAO. A expectativa é que o modelo possa se consolidar como padrão global para o compartilhamento de espectro entre diferentes operadores de satélites e observatórios científicos.

Vale lembrar que no ano passado, um grupo de 100 pesquisadores de áreas como astronomia, física e astrofísica solicitaram uma interrupção na autorização para novos satélites de baixa órbita (LEO), temendo impactos da atividade comercial sobre pesquisas científicas.

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