SpaceX compra espectro da EchoStar por US$ 17 bilhões
A SpaceX, empresa aeroespacial do bilionário Elon Musk e dona do serviço de banda larga via satélite Starlink, fechou um acordo de US$ 17 bilhões (aproximadamente R$ 92,2 bilhões) para comprar licenças de espectro da EchoStar.
O negócio, anunciado nesta segunda-feira, 8, envolve as chamadas frequências AWS-4 (entre 2000–2020 MHz e 2180–2200 MHz) e H-block (1915–1920 MHz e 1995–2000 MHz).
O pagamento pelo espectro será de até US$ 8,5 bilhões em dinheiro e até US$ 8,5 bilhões em ações da SpaceX. O acordo ainda prevê que a empresa de Musk financie US$ 2 bilhões em pagamentos de juros relacionados à dívida da EchoStar até novembro de 2027.
A EchoStar ressaltou, em comunicado, que os negócios firmados devem resolver as investigações da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês). O órgão regulador de telecomunicações dos Estados Unidos apura se a empresa está usando de forma adequada o espectro concedido, ameaçando retirar algumas de suas licenças.
Já a SpaceX celebrou o acordo dizendo que, com o espectro adicional, poderá implementar a próxima geração do serviço Starlink, com foco em operações D2D.
“Neste próximo capítulo, com espectro exclusivo, a SpaceX desenvolverá a próxima geração de satélites Starlink diretos para celular, que representarão uma mudança radical no desempenho e nos permitirão melhorar a cobertura para clientes onde quer que estejam no mundo”, afirmou Gwynne Shotwell, presidente e COO da SpaceX, em nota.
Acordo de longo prazo
Em comunicado, a EchoStar destacou que também terá um acordo comercial de longo prazo com a SpaceX.
Em linhas gerais, os assinantes da Boost Mobile, marca de telefonia móvel da EchoStar, terão acesso ao serviço de conectividade via satélite direta para celular – tecnologia também chamada de direct to device, ou D2D – de próxima geração da Starlink.
Contrato rompido
Também nesta segunda-feira, 8, a MDA Space, empresa canadense de tecnologia espacial, informou que recebeu uma “notificação de rescisão por conveniência” da EchoStar.
O rompimento se refere ao contrato avaliado em US$ 1,3 bilhão anunciado no início de agosto para desenvolvimento de uma constelação de mais de 100 satélites D2D. O acordo poderia ser estendido para mais de 200 satélites, alcançando o valor de US$ 2,5 bilhões.
A MDA destacou que a rescisão contratual “é resultado de uma mudança repentina na estratégia e no plano de negócios da EchoStar”. Além disso, afirmou que será “recompensada por todos os custos e taxas de rescisão relacionados”.
Venda para AT&T
Vale notar que o negócio com a SpaceX foi anunciado duas semanas após a EchoStar vender, por US$ 23 bilhões, licenças de espectro nas faixas de 600 MHz e 3,45 GHz para a AT&T. Para analistas, as operações simbolizam o fim das expectativas de que o mercado móvel norte-americano pudesse ter quatro operadoras de porte nacional.
Inclusive, as vendas de espectro ocorrem em meio a uma situação financeira crítica enfrentada pela EchoStar. A companhia tem uma dívida na ordem de US$ 26,4 bilhões e registrou prejuízo líquido de US$ 306 milhões no segundo trimestre deste ano. A empresa, segundo o portal LightReading, já estava atrasando o pagamento de juros por falta de liquidez.
