Terça-feira, 11 de Agosto de 2026

SP pode integrar os 10 maiores hubs globais de interconexão até 2030, aponta pesquisa

Um levantamento realizado pela DE-CIX durante o Capacity LATAM 2026 e o Fórum Interconnecting Rio mostra que 80% dos executivos de infraestrutura e conectividade acreditam que São Paulo tem potencial para figurar entre os dez maiores mercados de interconexão do mundo até 2030. O estudo também aponta inteligência artificial, Edge Computing e soberania de dados como os principais vetores para consolidar o Brasil como líder digital da América Latina.

Segundo a pesquisa, a expansão da infraestrutura digital brasileira vem sendo impulsionada pelo aumento da demanda por aplicações de inteligência artificial e pela necessidade de ambientes mais distribuídos e resilientes. Para cerca de 95% dos entrevistados, a IA fará parte das operações da maioria das empresas brasileiras nos próximos anos, exigindo investimentos em capacidade energética, novos data centers e redes de alta performance e baixa latência.

Para Darwin da Costa, diretor regional da DE-CIX para Brasil e América do Sul, o país passou a ocupar uma posição estratégica no cenário global de conectividade. “São Paulo já atua como principal polo regional e reúne condições para integrar o grupo dos maiores hubs de interconexão do mundo ao longo desta década”, afirma.

A pesquisa também mostra que a soberania de dados ganhou relevância entre as prioridades das organizações. A interconexão local é vista como elemento estratégico para atender exigências regulatórias, aumentar a segurança, reduzir riscos operacionais e melhorar o desempenho das aplicações. Como consequência, cresce a adoção de arquiteturas regionalizadas, aproximando o processamento dos dados dos usuários e reduzindo a dependência de rotas internacionais.

Outro destaque do estudo é o avanço do Edge Computing. Mais de 99% dos participantes acreditam que o número de implementações no Brasil deverá triplicar até 2027, impulsionado por aplicações que exigem processamento em tempo real, como inteligência artificial, serviços financeiros e ambientes industriais conectados. O movimento reforça uma mudança no desenho da infraestrutura digital, que passa a priorizar proximidade, baixa latência e distribuição dos recursos computacionais.

“A demanda por Edge Computing e soberania de dados demonstra um mercado mais maduro, focado em eficiência, controle e velocidade. A tendência é de ampliação dos investimentos em infraestrutura preparada para suportar aplicações críticas e de baixa latência”, afirma Darwin da Costa.

O levantamento também aponta que a adoção de estratégias multi-cloud deverá avançar de forma gradual. Apenas cerca de 40% dos entrevistados acreditam que as empresas terão concluído uma migração completa para esse modelo até 2027, refletindo os desafios de integração e gestão de ambientes híbridos.

Além disso, os executivos consultados avaliam que a expansão das fintechs deverá alterar significativamente os padrões de tráfego de dados no país, embora ainda exista incerteza quanto ao ritmo dessa transformação.

Os dados foram coletados durante o Capacity LATAM 2026, realizado em São Paulo, e no Fórum Interconnecting Rio, promovido pela DE-CIX, eventos que reuniram representantes do setor para discutir os desafios da infraestrutura digital, da interconexão e da preparação do Brasil para o crescimento das aplicações baseadas em inteligência artificial.

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