Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026

S&P eleva rating da Unifique após aquisições de ISPs e espectro

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s Global (S&P) anunciou nesta quarta-feira, 4, a elevação dos ratings de crédito de emissor e de emissão da Unifique de “brAA-” para “brAA”, com perspectiva estável.

O rating de recuperação atribuído às debêntures sênior sem garantia (senior unsecured) permaneceu inalterado, com a nota “br3(60%)”, o que indica uma recuperação substancial em casos de inadimplência ou reestruturação da dívida.

O relatório destaca a eficiência operacional e a baixa alavancagem da empresa, mesmo após as recentes aquisições de provedores e do espectro 5G da Ligga Telecom.

“A perspectiva estável indica nossa visão de que a Unifique continuará expandindo suas operações em torno de seu backbone, sendo via banda larga fixa ou rede móvel, sem pressionar sua alavancagem e mantendo margens saudáveis”, afirma a S&P.

Impacto das aquisições
Em sua análise, a S&P pontua que as aquisições de três provedores no fim do ano passado, com um incremento de 33 mil acessos à base de banda larga, e a compra do direito de uso da Ligga na faixa de 3,5 GHz no Paraná, anunciada em janeiro, terão impacto leve sobre a alavancagem (dívida líquida ajustada sobre Ebitda) da Unifique.

A expectativa da agência é de que a operadora tenha encerrado 2025 com uma alavancagem em torno de 1x (os resultados consolidados do ano passado serão divulgados em 18 de março), índice ligeiramente acima dos 0,8x registrados ao fim de 2024.

Para os próximos anos, o indicador deve se manter controlado, em função da crescente geração do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), estimam.

“A participação da telefonia móvel na receita líquida da empresa deve representar em torno de 5% em 2025, ante menos de 1% no mesmo período do ano passado, e esperamos que cresça significativamente nos próximos anos”, sinaliza a agência.

“Acreditamos que a Unifique continuará aumentando a penetração de combos entre os serviços oferecidos, e como resultado manterá o churn em níveis baixos e controlados (1,5% na média de 2025), além de alcançar novos clientes”, complementa.

Projeções
A S&P estima, conforma o relatório, que a Unifique tenha terminado 2025 com 860 mil assinantes de banda larga – dados reportados à Anatel indicam 843,4 mil acessos ativos em dezembro passado. A expectativa é de que a base cresça para 920 mil, em 2026, e 970 mil, em 2027.

A projeção é de que a receita média por usuário (ARPU, na sigla em inglês) tenha chegado a R$ 115. A receita líquida deve crescer 15% tanto em 2026 como em 2027, estimam.

Segundo a agência, o churn (taxa de cancelamento de clientes) estimado é de 1,5% em 2025, devendo ficar abaixo desse índice nos próximos dois anos.

A S&P vê a margem Ebitda da Unifique na casa de 50% no ano passado, registrando uma melhora gradual para 52% até 2027, com apoio do crescimento da base de clientes.

O capex também deve crescer ano após ano. Partindo da estimativa de R$ 320 milhões em 2025, os investimentos devem totalizar R$ 380 milhões, em 2026, e R$ 450 milhões, em 2027. Desses valores, dois terços devem ser destinados à expansão da operação de telefonia móvel.

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